Fotos e Histórias

Arquivo

  • 2016 (1)
  • 2015 (4)
  • 2014 (8)
  • 2013 (12)
  • 2012 (22)
  • 2011 (35)
  • 2010 (10)
  • 2009 (1)

Viveiros com certificado Bio

IMG_20140327_203654

Viveiros de plantas com certificação biológica ainda são uma raridade por cá. Felizmente o ano passado abriu um relativamente próximo de nós, em mafra, a Biobrotar. Existem vantagens e desvantagens de trabalhar com viveiros, que consoante os objetivos que se tenham para cada cultura podem ser relevantes ou não.

Por um lado em termos de escolha, estamos limitados às variedades que estiverem disponíveis, culturas que tenham uma sequência de plantação muito curta, de uma semana ou duas, não é prático se considerarmos o numero de viagens que se têm de fazer, e ainda consoante o volume das encomendas o custo também se pode tornar um fator importante. Por outro lado as vantagens que se tiram são muito importantes, a segurança de ser ter tabuleiros com uma germinação perto dos 100%, plantas saudáveis e bem desenvolvidas no momento certo para serem transplantadas, poupa-se no espaço necessário para ter tabuleiros a germinar, e também nas instalações para garantir boas germinações.

Este ano, em algumas culturas que têm germinações mais demoradas, ou que não vamos ter muitas sucessões de plantação, como couves e alho francês, vamos optar por trabalhar em conjunto com o viveiro. São culturas que queremos garantir que estão em perfeitas condições na altura de irem para a terra, e que não podem falhar.

dentro da estufa já se trabalha…

IMG_20140204_161547

O inverno não está a facilitar mesmo, muita chuva e vento forte por todo o lado. No entanto este ano já estamos a meter a estufa a mexer, vamos aproveitar para iniciar algumas culturas que gostam de tempo mais fresco.

Apesar das temperaturas baixas que se sentem na rua, dentro da estufa durante o dia tem estado uma média de 15º a 20º, uma verdadeira primavera.

Já começámos algumas culturas em tabuleiros, e umas linhas de sementeiras diretas de ervilha, feijão verde pequeno e rabanetes. Vamos ver se em Abril já temos culturas que se vejam!

As favas já estão na terra…

Este ano as favas já estão na terra, e nós estamos particularmente contentes por isso. No final de cada cultura ficamos sempre com o sentimento que devíamos ter começado mais cedo, para aproveitar melhor as épocas, mas este ano com a fava antecipámos e bem.

O ano passado apenas utilizámos a fava como adubação verde, a nossa ideia foi semear, deixar crescer um pouco e antes de começar a dar fruto, cortar e incorporar na terra, para desta maneira melhorar a estrutura do solo e fertilizar. Mas como semeámos muita acabámos por não cortar toda e deixámos um pouco de terra com fava para colher. É claro que quando chegou a época da colheita ficámos tristes por não ter mais.

Por isso este ano resolvemos semear de propósito para colher, para começar antecipámos um mês e meio a sementeira, reservámos dois camalhões de 30 metros e semeámos quatro linhas, com cerca de 18 cm de espaçamento entre cada fava. Se tudo correr bem, vão começar a surgir as primeiras plantas dentro de três a quatro semanas, e nessa altura fazemos nova sementeira.

A fava é uma cultura que produz muito, e das favas que adquirimos o ano passado ao Miguel das Hortas da Cortesia, devidamente certificadas para agricultura biológica, deu para a adubação verde, para semear este ano, e ainda sobraram para o ano que vem. Se aproveitarmos este ano para guardar alguma produção para semente e juntarmos às que sobraram, vamos ter favas para sempre.

[actualização a 8-5-2013: infelizmente o inverno foi rigoroso demais – muito vento e muita chuva quebraram as plantas e fizeram as flores cair por isso não houve favas este ano…]

Desafios

Quase um ano passado desde que entrámos em actividade, não podemos ainda dizer que somos agricultores e muito menos especialistas. Mas se deitar sementes à terra, vê-las crescer para se tornarem plantas saudáveis, colhê-las e vendê-las não é ser agricultor, pelo menos já é alguma coisa. Temos aprendido imenso, e a maior aprendizagem sem dúvida que não está nos livros, está na prática. Desde que agarrámos este desafio já fomos contabilistas, canalizadores, electricistas, designers, vendedores, conversadores profissionais com os nossos clientes, biólogos, entomologistas, realizadores de filmes, fotógrafos.

As pragas estão a voltar à medida que o tempo aquece: áltica, borboletas das couves, bago de arroz… coelhos! mas estamos a observar também vários auxiliares como larvas de joaninhas, aves insectívoras, opiliões, dípteros. As flores das couves e dos trevos e luzernas estão a atrair centenas de abelhas, abelhões e bombos, e acreditamos que a nossa horta está a tornar-se uma verdadeira horta biológica e a começar a gerir-se com um pouco da nossa ajuda. As ervas – apesar de benéficas para a adubação verde como as luzernas – cobrem todos os cantos que não estão a ser utilizados e parecem estar prestes a engolir a nossa produção se não as controlarmos.

Mas actualmente o nosso maior desafio está a ser conseguir manter uma produção contínua de vários produtos. Ainda existem muitos aspectos importantes que não estamos a conseguir prever, mas esperamos que seja algo que vem com a experiência e afinal ainda não completámos um ano agrícola e só apanhámos a campanha de outono inverno.

Os diferentes tempos de produção que as culturas têm, nas diferentes alturas do ano (no inverno desenvolve-se tudo tão lentamente!), e os diferentes ritmos de procura por parte dos nossos clientes, provocam-nos indisponibilidade de alguns produtos, que depois não conseguimos repor com a agilidade que gostaríamos.

Bem, estamos sempre a aprender e a tentar superar os desafios, e já começámos a fazer sementeiras regulares de vários produtos, e pelo menos com os espinafres achamos que já acertamos com o ritmo ;)

Experimentar com os rabanetes

Temos vindo a descobrir que a agricultura é tudo menos linear. Não basta lançar as sementes à terra e esperar que saia sempre bem. Quer queiramos quer não as condições do solo alteram-se, a temperatura afecta e muito o desenvolvimento e até a coloração dos vegetais (as couves coração por exemplo estão roxas de tanto frio que tem feito), e às vezes até a técnica usada na germinação afecta o resultado final.

Foi o que aconteceu no caso da “2ª geração” de rabanetes que cultivámos no nosso terreno desde outubro. Por uma questão de gestão do espaço e do tempo, experimentámos germinar parte das sementes de rabanete nos tabuleiros com destino a transplantar na estufa e outra parte semeámos por sementeira directa no exterior. Os da estufa fendilharam muito mais que os da rua, apesar de terem folhas e bolbos muito maiores. Pensamos que pode ter sido de os termos transplantado tarde demais, já com raízes muito desenvolvidas no alvéolo do tabuleiro (alguns até já tinham a bola formada quando foram para a terra). Quando os arrancámos notava-se ainda perfeitamente o substrato de germinação a envolver as raízes, e em vez de uma raíz principal como devia ser havia várias raízes principais, em leque, e com fendilhamento que em alguns casos abriu o rabanete por baixo por completo.

Sabemos que alterações importantes na disponibilidade de água ao longo do ciclo de desenvolvimento do bolbo também podem causar fendas (e também fibrosamento), mas neste caso pensamos que foi mesmo o facto de já terem demasiada ramificação das raízes no tabuleiro.

Uma vez que quando demos por esta situação já tínhamos colocado mais sementes a germinar, decidimos não as desperdiçar e transplantá-las em vez disso mais cedo (na foto, em baixo à esquerda) quando ainda só tinham as duas folhas do cotilédone e uma raíz única. Experimentámos assim transplantar com raíz nua, sem o substrato do alvéolo do tabuleiro a condicionar o crescimento da raíz principal. Vamos lá ver se resulta e se a “3ª geração” de rabanetes na estufa sai como deve ser!

[actualização a 01-05-2012: esta técnica realmente resultou, os rabanetes transplantados numa fase muito inicial e sem o substrato a condicionar o desenvolvimento da raíz formaram-se perfeitamente. Contudo, ainda estamos a afinar a produção dos rabanetes… a transplantação das jovens plantas é uma tarefa muito demorada porque o compasso de plantação é apertado e a densidade elevada; por outro lado na sementeira directa obriga-nos a desbastar as plantas que estejam muito juntas, perdem-se mais sementes e requer uma cama de sementeira bem esmiuçada – o que nem sempre é possível no nosso solo argiloso e com torrões. A experimentação continua…]

Os últimos dias em fotos

… e já começámos :)

Há cerca de uma semana começámos a germinar sementes. Seleccionámos do nosso calendário de plantação as variedades que ainda podem ir para a terra este ano, comprámos substrato de germinação bio e tabuleiros (com alvéolos de 25 e 32cm3) e pusémos mãos à obra. Semeámos 3 tipos de alface, 2 tipos de chicória, rúcula, couve lombarda e couve coração, espinafres de inverno, beterrabas, acelgas, salsa, aipo de cortar, manjericão, coentros, cebolinho, feijão verde. Parece pouco, mas daqui a uns 15 dias fazemos nova sementeira para podermos fazer colheitas escalonadas. Em princípio as couves, as alfaces e o feijão ainda vão para a rua, mas as beterrabas e as aromáticas em princípio vão para a estufa. Até ao final do ano ainda vamos semear ao ar livre cebolas e alhos, e estamos a tentar ainda arranjar – a pedido de várias famílias – couve portuguesa “para o Natal”… 8 dias depois, estão assim:

Horta e visita técnica

a_horta

garrafoes

DSC_0651

Este é o aspecto das nossas culturas caseiras de momento. Tem chovido e tem feito sol, e a salsa, a rúcola e o cebolo estão verdes e viçosos – mas já são da época passada e a rúcola está a ganhar um gosto picante que não é tão agradável como antes em saladas. Mas pode ainda ser usada para fazer pesto: azeite, folhas de rúcula, nozes, queijo, tudo passado no processador.

Quanto às sementeiras mais recentes, temos o tomate, o manjericão e a camomila já germinados nos garrafões em casa, e o aipo a despontar também. Na rua, nos caixotes, os únicos que já saíram da terra foram os rabanetes (podem vê-los na última foto) – tal como no ano passado foram os primeiros, apesar de este ano terem ido muito mais cedo para a terra.

Entretanto já tivemos a visita de um técnico que nos vai acompanhar neste primeiro ano de instalação no nosso terreno. Para além de recolher amostras de solo para analisar, identificámos algumas plantas espontâneas benéficas, outras bastante indicadoras do tipo de solo com que vamos ter de trabalhar – mas isso fica para outro post. Para já sabemos que o nosso solo retém bastante a água e é sem dúvida argiloso (se pegarmos num pedaço de terra humedecida conseguimos formar um rolo e depois uma argola sem a quebrar). Mas também é escuro, o que pode indicar que terá algum teor de matéria orgânica, que pode estar bem ou mal decomposta. Aguardamos o resultado das análises para sabermos que correcções (se for demasiado alcalino/calcário ou demasiado ácido) teremos de fazer, e que culturas melhor se adequarão a este solo.

Ficámos também com uma lista de plantas indicadas para fazer sebe, adaptadas ao clima mediterrâneo, e que vamos estudar para ver as que se adequam melhor ao nosso espaço. O terreno está orientado a sul, o que é bom, mas está sujeito a ventos de norte e noroeste. Deveremos optar por árvores ou arbustos de folha perene nestas vertentes e poderemos plantar também algumas de folha caduca para as vertentes a sul e a leste. O terreno já tem uma sebe desenvolvida composta por uma planta do género Pittosporum, e que temos andado a limpar porque anos de abandono tornaram-nas demasiado frágeis e sensíveis à força do vento. Posso dizer que as pequenas flores brancas que agora as cobrem têm uma azáfama de abelhões à volta delas por estes dias.

Na lista de tarefas, enquanto não temos o terreno certificado e enquanto a terra ainda está demasiado molhada para entrarem máquinas, constam limpar as valas de drenagem existentes, retirar o máximo de plásticos e pedras que ainda se encontram por todo o lado e… encontrar um rebanho de cabras ou ovelhas disposto a passar uns dias a limpar aquela verdura toda.

A horta está de volta…

DSC_0625

… e aparentemente as lesmas também. Este fim de semana fizemos as sementeiras e os caixotes este ano terão espinafres, beterrabas, aipo, e regressam os rabanetes, as cenouras, o tomate e o manjericão. Voltámos a semear camomila e espero este ano conseguir transplantá-la com sucesso. Em casa, em garrafões, pusemos a camomila, o tomate, o manjericão e o aipo. Directamente nos caixotes colocámos os rabanetes, a beterraba e as cenouras. Mais uma vez tentámos ter em conta as associações de culturas: as beterrabas gostam de ser colocadas perto de aipo ou de cebola ou de alfaces; a cenoura foi colocada junto a cebola (que ainda resiste do ano passado, mas de que só usamos a rama para tempero) e dos rabanetes. Para prevenir a mosca da cenoura deve semear-se junto delas coentros, mas não encontrámos as sementes e por isso ficará para o próximo fim-de-semana. As sementes de espinafre (da Nova Zelândia) foram mergulhadas em água durante 24 horas antes de serem colocadas na terra, e cobertas com ervas secas para proteger o solo e conservar a humidade e o calor. Também plantámos hortelã arrancada com raíz, e que é uma planta que se adapta com bastante facilidade.

Desta vez vamos aplicar-nos mais na monda e no desbaste para que as plantas tenham mais espaço entre elas para crescerem. Os tomateiros só irão para a terra daqui a cerca de um mês. Neste momento temos muito mais sementes e variedades em mãos do que espaço para as plantar a todas. Para já ficaram de fora os nabos, os pimentos, a courgette, a salva (que não medrou no ano passado), as malaguetas, a salsa (apenas porque ainda está viçosa e a produzir), a chicória. Num mês já deveremos ter rabanetes, e nessa altura daremos mais notícias da horta.

Notícias da Horta

Ora bem, tudo começou no chão da casa-de-banho. Ok, não precisa de começar no chão da casa-de-banho, mas convém fazer as sementeiras num local que seja fácil de limpar. Teríamos feito na rua, mas a chuva não deixou. Dia 8 de Junho de 2010 cortámos garrafões ao meio e enchemos de terra “bio”, fofa, solta e de vermicultura. A vermicultura é um processo de compostagem que utiliza minhocas como mão-de-obra principal – ao longo da sua vida as minhocas “processam” no aparelho digestivo quilos e quilos de terra, enriquecendo-a em azoto e tornando-a mais solta. Em sementeira colocámos tomate, piri-piri, pimento, mengericão, camomila, salva.

A sementeira

Uma semana depois, mais coisa menos coisa já tínhamos uns belos exemplares saídos da terra. É importante colocar as sementeiras em locais com muita luz (por baixo de uma janela, por exemplo), embora haja quem tenha luzes fluorescentes sempre ligadas para ajudar na germinação. No nosso caso, tivemos apenas o cuidado de abrir a janela de vez em quando para renovação do ar e também mantivemos sempre a terra húmida: calor + humidade = germinação.

DSC_0046

Enquanto isso, no quintal, depois de construído o caixote, faltava enche-lo. Misturámos cerca de 110L de terra mais-para-o-argiloso com 110L de terra mais-para-o-arenoso e 75L de terra vermicompostada. No fundo, rochas e pedras para ajudar na drenagem, tela para ajudar a reter a terra e evitar que ela desapareça pelos furos do caixote.

Horta_sequencia

Ficámos surpreendidos com a rapidez com que algumas coisas germinaram nos garrafões. Os tomates foram os primeiros, ao fim de 3 ou 4 dias já se viam pequenos fios verdes a tentar romper a terra. Os piri-piris e os pimentos foram os que demoraram mais, talvez duas semanas. Ao fim de um mês e uma semana transplantaram-se os tomates com mangericão porque são uma boa consociação, ou seja, o mangericão “protege” o tomate de algumas doenças e o tomate “dá abrigo” ao manjericão. Os piri-piris e os pimentos também foram para novos vasos e estão bem pegados, apesar de serem plantas para as quais vamos ter de ter paciência porque são de crescimento lento.

Transplantar tomate

A camomila foi fazer companhia a dois girassóis e uma courgette num vaso que já tinha uma figueira meio adoentada. Está tudo pegado e a crescer. Por falar em courgetes… Num mês ficaram assim:

Courgette

Pela mesma altura das transplantações, colheram-se os primeiros rabanetes e chicórias, ambos já enormes. Não somos consumidores habituais de nenhum destes vegetais, por isso vamos ter de puxar pela imaginação para conseguirmos consumi-los em tempo útil e sem desperdícios. Bon apetit!

DSC_0107