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Viveiros com certificado Bio

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Viveiros de plantas com certificação biológica ainda são uma raridade por cá. Felizmente o ano passado abriu um relativamente próximo de nós, em mafra, a Biobrotar. Existem vantagens e desvantagens de trabalhar com viveiros, que consoante os objetivos que se tenham para cada cultura podem ser relevantes ou não.

Por um lado em termos de escolha, estamos limitados às variedades que estiverem disponíveis, culturas que tenham uma sequência de plantação muito curta, de uma semana ou duas, não é prático se considerarmos o numero de viagens que se têm de fazer, e ainda consoante o volume das encomendas o custo também se pode tornar um fator importante. Por outro lado as vantagens que se tiram são muito importantes, a segurança de ser ter tabuleiros com uma germinação perto dos 100%, plantas saudáveis e bem desenvolvidas no momento certo para serem transplantadas, poupa-se no espaço necessário para ter tabuleiros a germinar, e também nas instalações para garantir boas germinações.

Este ano, em algumas culturas que têm germinações mais demoradas, ou que não vamos ter muitas sucessões de plantação, como couves e alho francês, vamos optar por trabalhar em conjunto com o viveiro. São culturas que queremos garantir que estão em perfeitas condições na altura de irem para a terra, e que não podem falhar.

Os nossos morangueiros

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Os nossos morangueiros são o nosso orgulho, após um começo complicado o ano passado, estão a recuperar com força, já a dar morangos e a propagarem-se a toda a velocidade.

Estes são da variedade “Mara-du-bois”, são pequenos e têm um cheiro e um paladar intensos e estamos ansiosos para que fiquem bem vermelhos para os podermos aproveitar. Por enquanto são só para nós, como não encontrámos já com certificado bio ainda estão em periodo de conversão. Os que já propagámos são considerados como certificados, mas como ainda são poucos vamos esperar mais um ano e depois certificamos o morangal por inteiro.

Até lá vamos multiplicando-os e mante-los verdejantes.

Desafios

Quase um ano passado desde que entrámos em actividade, não podemos ainda dizer que somos agricultores e muito menos especialistas. Mas se deitar sementes à terra, vê-las crescer para se tornarem plantas saudáveis, colhê-las e vendê-las não é ser agricultor, pelo menos já é alguma coisa. Temos aprendido imenso, e a maior aprendizagem sem dúvida que não está nos livros, está na prática. Desde que agarrámos este desafio já fomos contabilistas, canalizadores, electricistas, designers, vendedores, conversadores profissionais com os nossos clientes, biólogos, entomologistas, realizadores de filmes, fotógrafos.

As pragas estão a voltar à medida que o tempo aquece: áltica, borboletas das couves, bago de arroz… coelhos! mas estamos a observar também vários auxiliares como larvas de joaninhas, aves insectívoras, opiliões, dípteros. As flores das couves e dos trevos e luzernas estão a atrair centenas de abelhas, abelhões e bombos, e acreditamos que a nossa horta está a tornar-se uma verdadeira horta biológica e a começar a gerir-se com um pouco da nossa ajuda. As ervas – apesar de benéficas para a adubação verde como as luzernas – cobrem todos os cantos que não estão a ser utilizados e parecem estar prestes a engolir a nossa produção se não as controlarmos.

Mas actualmente o nosso maior desafio está a ser conseguir manter uma produção contínua de vários produtos. Ainda existem muitos aspectos importantes que não estamos a conseguir prever, mas esperamos que seja algo que vem com a experiência e afinal ainda não completámos um ano agrícola e só apanhámos a campanha de outono inverno.

Os diferentes tempos de produção que as culturas têm, nas diferentes alturas do ano (no inverno desenvolve-se tudo tão lentamente!), e os diferentes ritmos de procura por parte dos nossos clientes, provocam-nos indisponibilidade de alguns produtos, que depois não conseguimos repor com a agilidade que gostaríamos.

Bem, estamos sempre a aprender e a tentar superar os desafios, e já começámos a fazer sementeiras regulares de vários produtos, e pelo menos com os espinafres achamos que já acertamos com o ritmo ;)

Lá vai alho.

No final do verão, comprámos cerca de 10Kg de alho seco a outro produtor biológico, com o intuito de servir de “semente” para começarmos a produzir o nosso próprio alho. Durante todo este tempo mantivémos o alho guardado num local seco para que não começasse a germinar, mas as coisas parece que têm um relógio e mesmo assim por esta altura já começavam a surgir rebentos por todo o lado. O sinal estava dado e era altura de o semear.

Como o alho é uma cultura que demora muito a ficar pronta, escolhemos um sítio sossegado na horta para ele ficar, um sítio que não dificulte os trabalhos que sejam precisos fazer para as outras culturas. Ficou entre a estufa e a bordadura de silvas que cerca o terreno, assim fica protegido dos ventos e tem drenagem dos dois lados. Fizemos dois camalhões com cerca de um metro de lado e trinta de comprimento, e em cada um plantámos três linhas de alho. Se tudo correr bem lá para o verão do ano que vem vamos ter alho com fartura.

dica: os melhores dentes de alho para semear são os de fora das cabeças.

As primeiras culturas estão na terra!

São couves portuguesas (para o Natal!), alfaces (três variedades) e feijão verde. As couves e as alfaces foram consociadas ao ar livre, em camalhões de 1m de lado por 30m de comprimento (uma linha de alface entre duas linhas de couve). Esta consociação envolve uma cultura de crescimento lento (a couve) com uma cultura de crescimento mais rápido (a alface) o que permite uma mais eficiente utilização e cobertura do solo. Quando as alfaces forem colhidas dentro de um ou dois meses as couves continuarão a crescer e até dezembro terão espaço suficiente para se desenvolverem.

Dentro da estufa colocámos os feijões. O tempo está ventoso e já começou a refrescar e não quisemos arriscar que os pés frágeis desta cultura se partissem. Foram estacadas com canas, pé sim, pé não e em breve irão começar a trepar por elas acima.