Fotos e Histórias

Arquivo

  • 2016 (1)
  • 2015 (4)
  • 2014 (8)
  • 2013 (12)
  • 2012 (22)
  • 2011 (35)
  • 2010 (10)
  • 2009 (1)

Outono na horta e pausa para o inverno

outono_2013-2_peq

Até para fazer uma pausa é preciso preparar a horta. Este ano a nossa época ativa foi curta mas o verão foi bom – apesar do começo tardio depois das chuvas que se prolongaram até abril lá conseguimos voltar ao mercado e colher o que de melhor a horta nos deu. Soube a pouco! Este ano decidimos parar voluntariamente no inverno e vamos regressar para o ano, se o inverno for ameno e assim o permitir, com sementeiras de primavera-verão logo a partir de fevereiro. Até lá temos muito que planear, muitas contas a fazer, alguns investimentos para melhorar a rentabilidade do nosso pequeno pedaço de terra.

Mas antes de parar estamos a preparar a horta. A estufa está finalmente arranjada e esperamos que aguente os ventos habituais dos meses que aí vêm. Retirámos a rede que estava a vedar algumas zonas por causa dos coelhos, retirámos a rega para não desaparecer no meio das ervas e para deixar o solo pronto para quando o trator puder entrar na horta; apanharam-se as abóboras todas, o Benjamim foi guardado dentro da estufa. Falta apanhar duas linhas de batata doce e arranjar e transplantar os morangueiros que entretanto já se reproduziram. Se não chover entretanto, o trator ainda vai triturar restos de culturas e ervas que ficarão a decompor sobre o solo.

Ainda é possível encontrar alguns vegetais a espreitar por entre as ervas, alguns tomates resistentes nas plantas já velhas, alguma acelga e espinafres que gostaram das últimas chuvadas que cairam ainda há dias, mas tirando o que vamos trazendo para casa podemos dizer que estamos fechados para… descanso.

outono_2013-6_peqoutono_2013-11_peqoutono_2013-13_peq

Ervas daninhas

Sem dúvida que as ervas estão a ser o maior problema em termos de gestão da área cultivada e de tempo gasto na horta. Em agricultura biológica não se aplicam herbicidas – que para além de fatais para as ervas, são-no também para a fauna e para o agricultor, sem contar com a contaminação dos lençóis de água. As alternativas são basicamente a cobertura do solo (com plástico, tela ou palha/mulching) ou a limpeza manual (com as mãos e enxada) ou mecânica, ou ainda a monda térmica (recorrendo a botijas de gás). Dadas as restrições de orçamento com que trabalhamos a opção manual tem sido a mais popular, mas nem por isso a preferida… a limpeza da ervas tem ocupado à vontade 60% do tempo passado na horta, e mesmo assim sem muitos resultados visíveis porque quando se acaba de limpar uma parcela, já as ervas invadiram as restantes. Por um lado não nos temos preocupado muito porque ainda não temos necessidade de ter a área toda ocupada, e além disso muitas das ervas invasoras são trevos e luzernas, com rizóbio activo e que temos aproveitado para incorporar no solo à medida que vamos limpando contribuindo assim para o seu enriquecimento em nutrientes. Mas em breve teremos de começar a recorrer a mais algumas das estratégias acima enumeradas, ou à aceitação de voluntários para ajudar com as limpezas.

No caso destas favas que não siderámos mas que tinham sido engolidas por ervas (em cima) começámos a limpá-las na tentativa de aproveitar algumas para venda, e resultou. Já as estamos a apanhar, e as que foram limpas gostaram do acréscimo de sol e espaço que tiveram.

Dentro da estufa estamos a preparar uma área para os tomates cereja que já estão envasados e prontos para ir para a terra. A gestão do espaço torna-se às vezes complicada, não só por causa das rotações mas porque gostávamos de começar a recolher sementes (já o fizémos no caso do feijão verde do ano passado) e enquanto esperamos pela maturação das mesmas as linhas ficam ocupadas e sem permitir produzir mais nada – como é o caso da rúcula, à direita na foto. Nas próximas culturas iremos tentar definir uma área ou pequena parcela do terreno exclusivamente destinada à obtenção de sementes, onde vamos plantar poucas plantas mas de diferentes culturas com o objectivo de darem semente apenas.

 Os alhos já foram sachados duas vezes (e vão precisar possivelmente de uma terceira) e regas só precisaram de duas porque entretanto começou a chover, e além disso o nosso solo aguenta a água durante bastante tempo. Na semana passada o trabalho não foi de sacha ainda, mas tiveram de se limpar as ervas na bordadura que já estavam a invadir as linhas. O que se vê à esquerda, dentro da estufa, são aipos já em floração. Mais uma linha que irá ficar parada até decidirmos se os cortamos ou se os deixamos formar semente.

 

Limpezas na estufa

Este domingo que passou foi dedicado a limpar a estufa. Como temos vindo a constatar, uma estufa pequena como a nossa e que é a única zona produtiva que conseguimos ter neste momento, não pode estar muito tempo ocupada com culturas que já não estão no seu auge de comercialização, e por isso resolvemos tirar tudo o que estava a empatar para dar lugar a culturas novas.

Tínhamos manjericão já a dar flor, coentros da nossa altura que esperávamos que dessem semente, rúcula também a dar flor, e uma fila que ficou a reposar depois de termos colhido as beterrabas.

E assim ocupámos a manhã de domingo, ao som da “smooth fm” fomos os dois andando pelas linhas, a cortar o que já estava a mais, a encher o carrinho de mão com os restos e a levar tudo para o monte de material a compostar. E agora temos uma estufa livre e com espaço para instalarmos culturas novas e aumentarmos as que já estavam instaladas, como os espinafres, beterrabas, nabos e mais alfaces.

Retroscavadoras e valas de drenagem

O nosso meio hectare de terra gosta de água. Gosta tanto que não a deixa ir embora. E em preparação do inverno, como boas formiguinhas, andámos a limpar as valas de drenagem de água que circundam o terreno. Têm cerca de 50cm por 50cm e se tudo correr bem vão ajudar a aguentar as chuvas torrenciais que costumar cair em Sintra. Mais tarde, quando estivermos a instalar as culturas, vamos certificar-nos que as plantamos em leiras ou camalhões elevados para as raízes não asfixiarem. E esperamos estar para breve o nosso terreno deixar de parecer um estaleiro…

Progressos

progressos

progressos-2

progressos-3

Aos poucos a limpeza do terreno vai avançando (destroçador, charrua a 30cm, escarificador, fresa – O Sr. João tem andado ocupado connosco!) e neste momento já conseguimos visualizar a nossa horta, as parcelas, até a estufa. O espaço parece-nos grande mas adequado, e se calhar de futuro até o vamos achar pequeno para tudo o que lá vamos querer plantar. Ainda não está pronto, mas já temos o resultado das análises ao solo e os correctivos que vamos ter de fazer. Apesar de só ter sido feita uma análises sumária (que inclui o pH, a textura, a matéria orgânica e os nutrientes) já temos algumas bases para nos guiar. De um modo geral não é um mau solo, tem bastante matéria orgânica, é de textura fina e ligeiramente alcalino. As correcções a fazer incluem a adição de composto orgânico e bem curtido, por isso nestes dias estamos a fazer contactos com fornecedores de factores de produção e de sementes para pormos o terreno a trabalhar o quanto antes.

Entretanto, quando pensávamos que já nos tínhamos livrado de todo o lixo, eis que o tractor desenterrou tubos de drenagem, mais fios e calhas e pedras e plásticos. Até cabos eléctricos. Nesta altura já nos estamos a mentalizar para passar os próximos anos a descobrir pequenos tesouros destes espalhados por todo o lado…

progressos_4

somos fãs de tractores

tractor_1

Há duas semanas descobrimos uma máquina fantástica, o tractor. É uma maravilha ver esta máquina a trabalhar, enquanto o tractor andou às voltas no nosso terreno, não conseguimos fazer mais nada, senão ver a nossa horta a ficar completamente plana. De um momento para o outro o nosso meio hectare parece enorme, e já conseguimos começar a ver as coisas tomarem forma, já conseguimos imaginar a disposição da horta.

No dia em que decorreu a operação estava um calor brutal, e o tractorista (que é nosso vizinho, e também é produtor), trabalhou bem mas não conseguiu limpar o terreno todo, e agora com este clima incerto estamos a ter dificuldades em conseguir ter o terreno seco para ele lá voltar. É outra coisa que temos que nos começar a habituar, o clima é que manda.

Por estes dias

P5040002

P5040001

P5040004

Enquanto aguardamos que a terra seque para poder entrar um tractor para limpar as roseiras, enquanto não chega o resultado das análises do solo, enquanto não conseguimos pôr o furo a funcionar – vamos limpando as árvores, empilhando matéria lenhosa para fazer composto e cortando lenha para as lareiras da família e dos amigos.

No que diz respeito ao furo, deparámos-nos com algo que poderá ser um problema: para além de terem sido cortados os cabos de electricidade que alimentam a bomba, também não encontramos a corda que serviria para a retirar para podermos ver se ela ainda está a funcionar. Esta semana iremos ficar a saber se temos água ou se o furo terá de ser dado como inviável…

Obrigado…

2011041700066

No fim-de-semana que passou, realizou-se a primeira cropmob portuguesa, bem muito provavelmente não foi a primeira a realizar-se em portugal, mas foi sem dúvida a primeira convocada por nós e na nossa horta (na foto só estão quatro ajudantes, mas eram mais).

A limpeza do terreno continua a bom ritmo, mas o terreno ainda é grandito, e tem muito mato, plásticos, tubos, e pedras. O tempo também já não é muito e gostávamos de ainda conseguir experimentar semear algumas coisas este ano, por isso para acelerar esta parte, convocámos uns amigos para dois dias de trabalhos no campo.

O pessoal apareceu (atenção que haverá outras iniciativas deste género, e quem não participou vai ter mais oportunidades), deu no duro o fim-de-semana todo, foram incansáveis, e conseguimos todos limpar meio terreno, mais um pouco e até fazíamos o trabalho do tractor. Uma das partes do nosso objectivo está a ganhar forma, começar a envolver os que nos rodeiam nesta nossa aventura.

Muito obrigado a todos :)

trabalho árduo

DSC_0731

E eis que a tão esperada hora finalmente chegou, já podemos limpar à vontade.

Já fomos visitados pelo organismo de controlo e certificação, e correu tudo bem, a visita visual concluiu que o terreno não é usado há bastante tempo, e já entregámos o pedido de redução do periodo de conversão. Por isso agora já nada nos impede de cortar, arrancar, desbastar, raspar, e moer em bocadinhos bem pequeninos, todo o mato selvagem que se foi apoderando da nossa horta ao longo dos últimos sete anos.

Na foto acima existia uma silva até metade da altura das árvores, agora não resta senão um manto de ramos espinhosos que jazem no chão. Achei que a primeira vitima da nossa limpeza merecia uma descrição um pouco poética. O trabalho vai ser muito árduo, mas sabe bem chegar ao fim do dia e começar a ver a nossa horta a ganhar a forma que temos na cabeça.

Vamos dando noticas do andamento da limpeza…

plásticos

DSC_0314

Plástico é o que nos tem dado trabalho de sobra para já no nosso meio hectare de terra. Há sete anos abandonado, este terreno teve em tempos duas estufas que ocupavam a maior parte dos 0,5Ha que vamos utilizar e que produziam… rosas. Aliás, as roseiras ainda lá estão, mais bravias que nunca mas ainda a florir o que vai dando ao terreno todas as semanas uns apontamentos de cor e muitos arranhões a quem lá anda. Infelizmente não é só com espinhos que temos de lidar neste momento. Apesar da estrutura elevada e visível das estufas já não se encontrar lá, foram deixados para trás metros e metros de plástico de cobertura das estufas, calhas onde encaixava o plástico, extensões imensas de tubos de rega e blocos de brita e cimento por todo o lado – que pensamos que serviriam para segurar os plásticos no local e fortalecer as fundações da estrutura. Tudo isto está há sete anos sobre o solo (e agora sobretudo sob o solo e uma camada espessa de erva e raízes) e não é fácil arrancá-los à terra porque anos de exposição aos elementos tornaram o plástico quebradiço e os tubos quase invisíveis.

Ainda estamos a tentar descobrir a solução para conseguirmos limpar o terreno destes verdadeiros detritos sem deixar um rasto de milhões de pedaços minúsculos misturados na terra e ao mesmo tempo conseguirmos aproveitar toda a matéria orgânica que agora a cobre. Para já vamos arrancando tudo o que vemos ou sentimos debaixo dos pés com cuidado, mas sabemos que não vamos conseguir dar conta de todos os pedaços lá deixados.

Fica uma mensagem para os agricultores que abandonem as suas estufas e o seu negócio: não deixem lixo para os que vêm a seguir. A ideia é deixar o solo melhor do que se encontrou. No nosso caso, é o que pretendemos fazer.

12