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Telas, redes e mantas

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Este ano decidimos apostar em barreiras físicas para protecção das culturas – não só protecção contra pragas, mas também contra ervas e contra condições climatéricas menos favoráveis. Ao longo de três anos de actividade, com muita experimentação pelo caminho, chegámos à conclusão que alguma da produtividade perdida na nossa horta se devia por um lado a perdas por ataque de pragas, e por outro ao tempo perdido com limpeza de ervas daninhas que assim não era canalizado para a produção e manutenção apropriada das culturas. Agora óbvias para nós, as barreiras físicas serão uma forma eficaz de resolver estas duas questões, e ainda a questão das baixas temperaturas que as últimas primaveras têm trazido e que dificultam o desenvolvimento das culturas que gostam do calor.

Sempre que a temperatura sobe na primavera, as nossas couves são fortemente atacadas pela larva da mosca da couve (o “bago-de-arroz”) que destrói as raízes levando à morte das plantas. Também por este motivo desistimos de fazer nabo (outra brassica)  durante o verão. Assim, este ano apostámos em duas medidas de combate: por um lado cobrimos os camalhões com filme plástico preto (que simultaneamente evita o crescimento de ervas e dificulta a postura dos ovos  no solo húmido junto do pé da planta), e rede mosquiteira. A rede deverá manter longe não só a mosca da couve como as borboletas brancas que depois dão origem às lagartas da couve, e a áltica. No caso da áltica contudo, estamos a aguardar para ver o resultado uma vez que só conseguimos encontrar rede com uma malha de 1.5mm e a áltica tem tamanhos que varia dos 1.5mm a 3mm, sendo que os juvenis ainda poderão passar neste crivo.

O filme plástico preto estamos a colocar na maioria das culturas que têm um ciclo de vida relativamente longo e/ou que permitem colheitas sucessivas nas mesmas plantas – couves, tomateiros, beringelas, pimentos, melão, morangueiros. A rega nestas culturas é feita por fita de gota, que fica sob o filme.

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No caso das courgettes, e também dos tomateiros, beringelas e pimentos – culturas que querem calor – optámos por manta térmica imediatamente a seguir à transplantação. As courgettes são regadas por gota e ficaram cobertas até ao aparecimento das primeiras flores, altura em que as destapámos para permitir a polinização. Resultou muito bem e elas estão bonitas e produtivas – já estamos a colher belos exemplares destas plantas que são tão generosas!

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As alfaces, assim que foram para a terra, começaram a ser debicadas e tivemos de as cobrir com rede anti-pássaros para as proteger das perdizes que abundam nesta zona. Até ver está a resultar e as plantas estão a começar a recuperar. Também iremos colocar esta rede sobre os morangueiros quando começarem a produzir para as proteger dos melros. Esta é uma rede bastante flexível (conseguimos esticá-la até 4m metros e tapar em simultâneo 3-4 camalhões) mas tivemos de usar arcos de arame grosso (5mm)*  para a suster, e pedras para a segurar junto ao solo.

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*este arame compramos ao quilo numa loja de ferragens e fazemos arcos com 1m – esta espessura é suficiente para suportar as mantas térmicas ou as redes e dá-lhes resistência suficiente para serem espetadas na terra e manterem a forma.

Finalmente, a tela de chão tecida (ou geotêxtil). A nossa horta está dividida em vários blocos, segundo o grupo das culturas (solanáceas, brassicas, cucurbitaceas, quenopodiáceas, asteraceas, aliáceas, etc) e que iremos rodar entre si para garantir a rotatividade – falaremos mais em pormenor sobre as alterações que fizemos este ano num outro post. A questão é que nunca semeamos ou plantamos cada bloco de uma só vez. Assim, à medida que vamos preparando os camalhões, cobrimos os que não vamos plantar nas próximas semanas com a tela para conseguirmos três coisas: 1) evitar o crescimento das ervas daninhas (numa espécie de falsa sementeira às escuras, em que as ervas daninhas emergem com o calor, escuridão e humidade que se fazem sentir debaixo da tela para logo depois morrerem devido à ausência prolongada de luz); 2) matar as ervas daninhas já existentes pelo mesmo efeito referido atrás (a ausência de luz); e 3) ajudar a manter a humidade no solo para ser mais fácil de trabalhar quando se destapa.

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No final da época faremos o balanço destas medidas, mas até ver está a resultar – menos ervas e plantas bonitas e produtivas (neste momento ainda só temos o resultados das courgettes, mas a diferença para o ano passado é notória, com já mais de 10kg apanhados numa semana!).

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Viveiros com certificado Bio

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Viveiros de plantas com certificação biológica ainda são uma raridade por cá. Felizmente o ano passado abriu um relativamente próximo de nós, em mafra, a Biobrotar. Existem vantagens e desvantagens de trabalhar com viveiros, que consoante os objetivos que se tenham para cada cultura podem ser relevantes ou não.

Por um lado em termos de escolha, estamos limitados às variedades que estiverem disponíveis, culturas que tenham uma sequência de plantação muito curta, de uma semana ou duas, não é prático se considerarmos o numero de viagens que se têm de fazer, e ainda consoante o volume das encomendas o custo também se pode tornar um fator importante. Por outro lado as vantagens que se tiram são muito importantes, a segurança de ser ter tabuleiros com uma germinação perto dos 100%, plantas saudáveis e bem desenvolvidas no momento certo para serem transplantadas, poupa-se no espaço necessário para ter tabuleiros a germinar, e também nas instalações para garantir boas germinações.

Este ano, em algumas culturas que têm germinações mais demoradas, ou que não vamos ter muitas sucessões de plantação, como couves e alho francês, vamos optar por trabalhar em conjunto com o viveiro. São culturas que queremos garantir que estão em perfeitas condições na altura de irem para a terra, e que não podem falhar.

Polinização cruzada – Cucurbitaceas

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Abóboras, courgettes, melão, pepinos – são todas culturas da família das Cucurbitaceas. Estas plantas estão dependentes da polinização feita por abelhas para produzirem frutos viáveis, e visto que pertencem à mesma família é natural surgirem algumas dúvidas sobre a possibilidade de se cruzarem entre si. O ano passado plantámos estas variedades lado a lado, apenas uma linha de cada e se para as courgettes correu bem e elas produziram bastante, com as Musquée de Provence e as cabaça a produção foi muito baixa. Isso levou-nos a estudar um pouco mais estas culturas e a forma como elas se reproduzem.

Geralmente as Cucurbitaceas produzem flores masculinas e flores femininas em locais diferentes da mesma planta, sendo que as flores masculinas estão encarregues de produzir o pólen e as femininas produzem os frutos. A excepção são os melões cantaloupe que também produzimos o ano passado e que têm quase exclusivamente flores masculinas e algumas flores hermafroditas que não se podem auto-polinizar, tornando a polinização ainda mais complicada.

A proporção de flores masculinas para flores femininas é geralmente de 10:1, sendo muito superior em algumas variedades, e estas surgem cerca de 10 dias antes das flores femininas. As flores, tanto as masculinas como as femininas só costumam abrir por um dia e depois caem. As flores femininas que não forem polinizadas também caem, mas as que foram polinizadas e começarem a produzir frutos podem coexistir com outras flores femininas da mesma planta, permitindo polinizações simultâneas.

Quem não quiser estar dependente das abelhas pode facilitar a polinização com um cotonete, retirando o pólen das flores masculinas e passando-o para as flores femininas que estejam abertas nessa altura – apesar de trabalhoso assegura maiores produtividades e é uma experiência que vamos fazer este ano. Outra coisa que também já fizemos diferente foi colocar as plantas em blocos (formando quadrados ou rectângulos) da mesma variedade em vez de uma única longa linha, para facilitar o trabalho das abelhas.

Para que não haja dúvidas, a polinização cruzada só vai ocorrer entre cultivares do mesmo grupo (que no nosso caso foram/são):

Grupo Cucurbita pepo – courgettes e abóbora patisson
Grupo Cucurbita moschata – abóbora Musquée de Provence, abóbora cabaça
Grupo Cucumis sativus – pepino
Grupo Cucumis melo – melão cantaloupe

Este ano optámos por fazer um bloco com cerca de 120 abóboras Musquée de Provence, outro de courgette, mais um de pepinos e um outro de melão (não vamos produzir patissons nem cabaças para evitar cruzamentos).

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Actualização a 02-08-2013: deixamos aqui um exemplo de cruzamento que ocorreu nas nossas plantas no ano passado e que já é visível em alguns dos frutos deste ano – chamamos-lhes “patigettes”, um cruzamento que ocorreu dentro do Grupo Cucurbita pepo entre as courgettes e as patisson brancas. As sementes deste fruto não deverão ser viáveis, ou podem ser para o ano mas não mais que isso. IMG1283

 

Crop Planning for Organic Vegetable Growers

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Para quem nunca teve contacto com a produção agricola profissional, conseguir planear as épocas antecipadamente tem sido o nosso maior desafio. Já tinhamos falado aqui do planeamento de culturas, e agora aproveitamos para voltar a esse assunto.

Seguindo uma sugestão que nos fizeram, fomos dar uma vista de olhos a um livro que é publicado pela Associação de Produtores Biológicos do Canadá (COG), e que se chama “Crop Planning for Organic Vegetable Growers“, não poderia ser mais indicado para nós. Este livro é uma verdadeira fonte de conhecimento principalmente para quem acaba de começar, e para todos os que estão a pensar em começar e não conseguem visualizar como é que se consegue viver exclusivamente de uma pequena horta em modo de produção biológico.

O livro trata desde o estabelecimento de objetivos financeiros, passando por planeamento de sementeiras, datas de colheitas, gestão do solo, e do espaço em estufa, análise de rentabilidade de cada cultura, e planeamento da época seguinte com base nos dados recolhidos e resultados obtidos. Vai ser sem dúvida uma ferramenta fundamental para a nossa próxima época.

Outra coisa que nos deixou bastante satisfeitos foi toda a rapidez do processo, os canadianos são bem certinhos, e os correios funcionaram impecávelmente, demorou cinco dias a chegar.

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Planear culturas

Planear as culturas, saber quando começar as sementeiras, quando transplantar e em que quantidades, é capaz de ser a coisa mais importante para quem está a tentar produzir hortícolas para vender, e nós ainda estamos a afinar o nosso processo.

Como nenhum de nós tinha prática agricola digna de registo, foi necessário muita pesquisa e muita tentativa erro para começarmos a acertar com algumas culturas. O mais difícil neste processo são as quantidades, se produzimos de mais, depois não vendemos e estragam-se os produtos, se produzimos a menos depois não temos para todas as solicitações. É um verdadeiro dilema.

Até que numa das navegações pela net, encontrámos um plano explicado passo a passo (http://www.traces.org/green/Course-marketing/4.5_CSA_crop_plan.pdf). Muito resumidamente o plano funciona da seguinte maneira: 1) primeiro é preciso calcular as necessidades semanais de determinada cultura, para depois chegar ao objectivo total da época; 2) passamos então para o cálculo da quantidade de plantas por sementeira que são precisas para atingir os objectivos anteriores; 3) em seguida, e para não existirem quebras na produção, anotamos as datas inicial, final e a frequência de sementeiras, para sabermos ao certo quantas sementeiras vão ser feitas ao longo da época; 4) com este valor em mente já podemos calcular as necessidades de sementes, e uma estimativa do custo de produção associado a esta cultura.

É claro que é muito mais fácil escrever do que fazer, e após uns meses de aplicação do plano ainda não acertamos com as quantidades todas, mas também é verdade que existem muitas variáveis para ter em conta, e esta é uma actividade de constante adaptação e aprendizagem.

Rhizobium

O rizóbio (Rhizobium sp.) é uma bactéria que se associa a plantas leguminosas para efectuar a fixação biológica de azoto, que se traduz na transferência de azoto atmosférico para o solo permitindo a adubação natural. Existem diferentes espécies de rizóbio que se associam a diferentes espécies de leguminosas, mas em todos os casos esta simbiose – como o próprio nome indica – é vantajosa tanto para a planta como para a bactéria. As bacterias obtêm açucares produzidos pela planta, e esta por sua vez tem o seu fornecimento de azoto essencial para o seu crescimento assegurado pelo rizóbio não precisando de adubação azotada por outras fontes não naturais. É de facto um processo genial presente na natureza: à temperatura e pressão ambiente esta bactéria (através da enzima nitrogenase) faz o mesmo que uma fábrica de amoníaco mas que necessita de 500ºC e uma pressão de 200 a 400 atmosferas para transformar uma molécula gasosa de N2 em amoníaco. É uma poupança energética brutal!

Desde a antiguidade que é reconhecida a capacidade regeneradora das leguminosas nos solos, mas apenas no século XIX foi demonstrado o processo que ocorria no interior dos nódulos de rizóbio. As pressões para produzir mais plantas e de maiores dimensões e com maior rapidez fizeram desenvolver a produção química em fábricas de adubos azotados, em processos que consomem quantidades enormes de energia – na sua maioria de fonte não renovável (já agora, as trovoadas ultrapassam o rizóbio em termos de quantidades de azoto fixado no solo, já que arrastam para este por ano cerca de 200 milhões de toneladas de azoto).

É possível adquirir rizóbio para inoculação de sementes de leguminosas, principalmentes as que são cultivadas como prado permanente ou para enrelvamento ou ainda para sideração (adubação verde), mas é sempre preferível melhorar as condições de fixação do rizóbio naturalmente presente no solo – apesar de a sua presença e actividade ser afectada pelas condições do meio. A presença de minerais favorece a sua actividade, mas é inibido pela presença de azoto solúvel. Por outro lado, a seca e o calor, metais pesados, pesticidas e antibióticos podem destruir estas bactérias.

Para saber se o rizóbio está a fixar bem o azoto, corta-se um nódulo e observa-se a cor no interior: deverá ser vermelha viva (se for cinzenta escura não está a fixar azoto). No caso do nosso terreno, os nódulos apresentam um tom rosa forte, o que nos leva a pensar que se calhar não está a fixar azoto a 100%. Poderá ser a falta de água que se faz sentir, ou as correcções efectuadas antes das plantações podem não ter fornecido ainda as condições ideais para a sua actividade. De qualquer forma, como se pode ver na imagem, as raízes da luzerna que cobre neste momento a nossa horta, estão cheias de nódulos de rizóbio, que pensamos ser da espécie Sinorhizobium meliloti porque está associado à luzerna (pensamos ser a Medicago polimorpha por ter flores amarelas em vez das flores lilazes características das luzernas vivazes – Medicago sativa). A título de curiosidade, as luzernas são características dos solos argilosos a franco-argilosos e alcalinos – o nosso solo é mesmo assim!

Estamos na dúvida quanto à altura certa para fazer o enterramento destas leguminosas. Tínhamos deixado esta cobertura nas zonas da horta onde não estavam culturas em produção ou onde não está a fava e o tremoço (também para enterramento) até que o inverno passasse e não houvesse erosão nem lixiviação de nutrientes por acção das águas da chuva, mas… não tem chovido nada, nem há chuva no horizonte. O atraso no crescimento da fava e do tremoço vão atrasar também o seu enterramento, por isso em princípio vamos já enterrar estas luzernas para começarmos as sementeiras de primavera/verão.

Fonte: “As bases da agricultura biológica – Tomo I – Produção vegetal”, coordenado por Jorge Ferreira, edições EDIBIO

muito mais do que um nome…

E como o prometido é devido, e como tínhamos ficado de contar melhor a história do nome num post próprio, aqui vai então a odisseia.

A nossa intenção não foi diferente de todos os que tentam encontrar o nome ideal para o seu negócio. Todos querem um nome simples, que fique no ouvido, que seja fácil de pronunciar, e que simplesmente só de o ouvir, toda a gente compreenda claramente todas as ideias e conceitos que queremos transmitir e que estiveram na sua construção.

No inicio a tarefa não parecia nada complicada. Pesquisámos um pouco sobre os principios de escolher o nome certo, descobrimos alguns sites interessantes e com boa informação, uns com dicas e regras, e outros com pequenos testes práticos para testar o nome escolhido. Com esta informação toda deitámos mãos à obra, criámos listas de conceitos que queríamos transmitir, listas de palavras que relacionadas com agricultura, produtos hortícolas, biologia, comunidades e coisas que tais, e no final ficámos com listas intermináveis de palavras soltas, e não estávamos mais perto de encontrar um nome que no dissesse alguma coisa. tentámos de tudo: juntar palavras aos pares, colar palavras, tentar resumir conceitos só numa palavra e nada parecia estar a funcionar – alguns pareciam promissores mas não conseguiam agradar às duas cabeças pensantes. A certa altura e já um pouco estafados da tarefa que se tinha revelado mais complicada do que pensávamos, resolvemos parar. Já tínhamos palavras e nomes suficientes e o escolhido teria que sair daquelas listas, porque nenhum de nós conseguia pensar em mais nada (até pedimos aos amigos para darem sugestões). Acabámos por resolver a questão da seguinte maneira: cada um de nós escolheu os dez nomes que mais gostava, ficámos com os que coincidissem e riscámos os outros, e assim ficámos com cinco nomes para pensar, debater e escolher.

como é que se escolhe um nome entre cinco? bem pergunta-se às pessoas que nos rodeiam! e para perceber melhor como é que entendiam os diferentes nomes que tínhamos à escolha, criámos um pequeno questionário. com os cinco nomes em mente, pedimos às pessoas que respondessem às seguintes questões:

– qual dos nomes despertou imediatamente a atenção?

– qual o nome que menos associas à agricultura bio?

– qual dos nomes desperta maior empatia e confiança?

– qual dos nomes transmite mais seriedade?

– se visitasses um mercado, para qual das bancas te dirigias primeiro, só escolhendo pelo nome?

– qual o teu favorito?

A maioria das respostas reduziu-nos a escolha a dois nomes e depois, de um momento para o outro a escolha tornou-se óbvia: CASAL HORTELÃO! Somos nós, de uma ponta à outra – somos um casal, vamos cuidar de uma horta com toda a dedicação e profissionalismo, é um nome simpático, próximo das pessoas e com o qual facilmente nos identificarão. Além disso é um nome forte, distintivo e que transmite confiança. E somos nós! já tinha mencionado?… Claro que uma coisa leva à outra. Com o nome em mente já foi possível começar a idealizar a nossa imagem, a nossa marca, a forma como vamos querer chegar às pessoas e divulgar o nosso trabalho e os nossos produtos.

Muito trabalho, estudo e experiências (por parte de um de nós…) depois, temos uma marca em vias de ser registada e um site em construção, mas a caminho, e onde poderão desde já inserir o vosso e-mail para receberem uma notificação assim que estiver disponível online (www.casal-hortelao.pt).

www.casal-hortelao.pt

Em relação ao logotipo, ainda considerámos pedir a alguém da área do design gráfico que nos ajudasse a desenhá-lo, mas os valores pedidos, ainda que justos, mostraram-se proibitivos para o nosso orçamento inicial. Como já sabíamos o que queríamos, acabámos por idealizá-lo e desenhá-lo, e ficámos muito satisfeitos com o resultado (é o que está no site no canto inferior esquerdo).

Esperamos que as pessoas se identifiquem e nos identifiquem com o nome que escolhemos, e que deu tanto trabalho, mas que achamos que nos assenta que nem uma luva.

empresa na hora – 2ª parte

[para quem perdeu a 1ª parte, pode ler aqui – empresa na hora – 1ª parte“]

depois do primeiro percalço com o nome escolhido, e após recuperarmos do choque de não podermos utilizar o nome em que pensávamos há pelo menos um ano, decidimos dedicar mais tempo e concentração à escolha de um novo nome, e já agora também de uma segunda, terceira, quarta e quinta opção, não fossem os senhores dos registos não autorizar o nome que viesse a ser escolhido. este processo acabou por ser engraçado e desgastante ao mesmo tempo, e mais tarde terá direito a um post próprio.

no que diz respeito à nossa experiência estes serviços burocráticos on-line funcionam consideravelmente bem. escolhemos o novo nome, preenchemos novamente o formulário, desta vez aproveitamos também para melhorar o objecto social, pagámos novamente os 56€ e ao fim de três dias úteis recebemos um mail que tinha no titulo “Pedido Deferido“, e fizemos uma festa :D

outra questão a ter em conta, é a escolha do pacto social – o pacto social é o contrato da sociedade que é assinado pelos sócios – esta escolha é importante porque tem impacto no custo dos emolumentos (o que se paga para tratar da papelada) e na celeridade do processo. existem duas opções, o pacto social livre e o pacto social pré-aprovado. no pacto social livre os sócios escolhem os artigos e as condições em que é formada a sociedade, esta opção resulta em emolumentos no valor de 360€ e a espera pela a aprovação do pacto social pelos serviços competentes. o pacto social pré-aprovado tem duas modalidades, que consistem basicamente em duas minutas que simplificam o processo. neste caso os sócios limitam-se a preencher os campos livres, como o nome da firma e dados dos sócios, e assinam no fim. a escolha do pacto social pré-aprovado, tem aprovação imediata e emolumentos no valor de 180€.

chegados a este ponto estávamos prontos para passar cerca de uma hora em frente ao computador, e navegar pelo processo de criar a nossa própria empresa. tínhamos contabilista, certificado de admissibilidade válido, dois cartões de cidadão, um leitor de cartões devidamente instalado no computador, e optámos pelo segundo modelo do pacto social pré-aprovado, e lá fomos nós. o processo está bem explicado e é fácil de seguir e consiste em ir preenchendo os campos em branco e clicando em seguinte no final de cada página, no fim é só fazer download do pacto social, assinar digitalmente o documento, e fazer o upload no mesmo, juntamente com a adesão ao centro de arbitragem. usando isto tudo nem sequer é preciso imprimir nada. chegando ao fim aparece o comprovativo de registo com a respectiva referência de pagamento multibanco, para saldar o valor devido pelos emolumentos. fomos ao site do banco e pagámos de imediato, tínhamos 48 horas, mas assim ficou logo tratado. desligámos o computador e fomos celebrar.

no dia seguinte durante a manhã recebemos a confirmação e a publicação da escritura no site do ministério da justiça, e agora era oficial, já estava mesmo criada. passos a seguir e prazos:

– cinco dias para depositar o capital social numa conta titulada pela empresa;

– quinze dias para ir às finanças com o contabilista dar o inicio da actividade, é necessário levar o nib da conta, a certidão permanente da sociedade, o pacto social e o comprovativo de registo que é emitido pela conservatória;

– comprar livro de actas e registá-lo nas finanças (custo total cerca de 50€, livro + registo);

– trinta dias para inscrever os gerentes na segurança social.

depois destas burocracias todas tratadas é “só” começar a trabalhar para produzir. ah, e não esquecer que de vez em quando há obrigações fiscais para cumprir, mas isso será outra história…

empresa na hora – 1ª parte

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um dos passos importantes que faltava dar, não só para oficializar a nossa actividade, mas também para as coisas começarem a andar com mais ritmo, esperamos nós, era a criação da nossa “nano-mini-micro” empresa. então aqui fica mais ou menos o que aconteceu com o nosso processo.

como é natural, quando começámos a pensar mais a sério sobre o assunto tínhamos mais dúvidas que certezas, por isso as muitas horas perdidas no portal da empresa foram dadas por bem empregues. há muita informação disponível não só a respeito dos procedimentos para criar empresas, mas também em relação à sua gestão – é definitivamente um site a ter em conta. alguma das coisas que descobrimos foi que teríamos que criar uma sociedade por quotas com dois sócios, que existe um capital social mínimo – mas que agora parece que vai deixar de haver -, que para este tipo de sociedade é obrigatório ter um TOC (técnico oficial de contas), e que já é possível tratar de tudo pela net.

como a contabilidade organizada é obrigatória e ainda tínhamos algumas duvidas práticas, sobre fiscalidades ou os tempos dos processos, começámos à procura de um contabilista. dá sempre jeito ter um contabilista amigo de um amigo, porque podemos combinar um encontro para tirar dúvidas sem compromissos. assim fizemos, ficámos esclarecidos sobre as entregas do iva, do irc, dos pagamentos por conta, dos especiais por conta, e dos períodos de isenção, que são de dois anos nos pagamentos por conta. depois de uma pesquisa por vários contabilistas acabámos por ficar com o contabilista amigo do amigo. a contabilidade é um assunto importante e convém ter alguém que inspire muita confiança e conhecimento na matéria.

já agora deixamos uma dica em relação à escolha do contabilista. estes profissionais gostam de conhecer o potencial cliente pessoalmente – seja para avaliarem a nossa seriedade e empenhamento no negócio, ou para perceberem o trabalho que irá exigir da parte deles. de qualquer forma convém prepararem-se para não terem orçamentos indicados por telefone ou enviados por e-mail. e não levem isso a peito.

tendo o assunto do contabilista resolvido passámos à criação da própria empresa. como disse dá para tratar o processo todo pela net (abençoado simplex), mas para isso é preciso ter o cartão do cidadão e um leitor de cartões (à venda nas lojas do cartão do cidadão) – depois de ter estas duas condições satisfeitas o processo é bastante simples. a primeira coisa a ter em conta é a escolha do nome, se optarmos pela lista dos “nomes fantasia”, que são nomes pré-aprovados, conseguimos criar a empresa em menos de uma hora, se não gostarmos de nenhum nome fantasia, temos que pedir um certificado de admissibilidade e esperar a aprovação do nome que escolhermos. este certificado tem um custo de 56€ e tem de incluir o objecto social (o que é que a empresa vai fazer), o CAE (classificação da actividade económica), e o concelho da sede social, para além do nome pretendido. existem algumas regras para a escolha do nome da firma, que convém respeitar, porque eles levam isso a sério, e nós vimos o nosso primeiro pedido ser indeferido por termos escolhido um nome que também é um produto que vamos comercializar. convém também ter uma segunda hipótese, porque existe a possibilidade de usar o mesmo pedido uma segunda vez no prazo de cinco dias, sem mais nenhum custo, nós não tínhamos uma segunda escolha, e esta é a história de como perdemos os nossos primeiros 56€.

como explicar o processo de abertura da empresa é mais demorado do que realmente criar uma, e este post já está a ficar grande, por aqui me despeço e continuo no próximo post.

[podem ler a continuação aqui – “empresa na hora – 2ª parte“]

Livros e mais livros

Livros

Quando se começa algo de novo tem de ser assim, com muita leitura, muita recolha de informação, isto porque não sabemos nada do assunto (pelo menos por enquanto). Bem para ser verdadeiro também não é assim tão grave, até sabemos algumas coisas, temos uma luzes e principalmente sabemos o que queremos fazer e que caminho seguir.

Nesta altura temos que aprender o máximo que conseguirmos sobre todos os aspectos do nosso projecto, e apesar da componente técnica ser muito importante, neste momento o que nos tem ocupado mais o tempo e a atenção, são as questões económicas do projecto, como realizar um plano de negócios, como estruturar uma PME, como gerir e suportar financeiramente a nossa actividade, e tentar aplicar isto tudo à Agricultura Biológica.

Vai ser um desafio e pêras…