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Crowdfunding

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Está neste momento a decorrer uma campanha de Crowdfunding criada por nós para podermos adquirir um mini-trator (http://ppl.com.pt/pt/prj/casal-hortelao).

Ao fim de quatro anos a contar apenas com uma moto-enxada para preparar o solo, que para além de ser fisicamente duro, nunca deixa o solo com as condições ideais para as plantações e transplantações que fazemos. Um mini-trator vai revolucionar o nosso calendário, uma vez que vai ser simples e rápido preparar as camas elevadas para onde vão as plantas assim que estejam prontas, sem perderem o seu ritmo de crescimento ideal.

Resolvemos assim recorrer ao financiamento directo pelo nossos familiares, amigos, clientes e seguidores, pedindo pequenas contribuições para atingirmos o objetivo de juntar o suficiente para o mini-trator e com isso dar um salto de gigante na nossa produção.

A todos os que nos puderem apoiar. MUITO OBRIGADO!!!!

Podem ver aqui o pequeno filme que fizemos para a campanha

Telas, redes e mantas

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Este ano decidimos apostar em barreiras físicas para protecção das culturas – não só protecção contra pragas, mas também contra ervas e contra condições climatéricas menos favoráveis. Ao longo de três anos de actividade, com muita experimentação pelo caminho, chegámos à conclusão que alguma da produtividade perdida na nossa horta se devia por um lado a perdas por ataque de pragas, e por outro ao tempo perdido com limpeza de ervas daninhas que assim não era canalizado para a produção e manutenção apropriada das culturas. Agora óbvias para nós, as barreiras físicas serão uma forma eficaz de resolver estas duas questões, e ainda a questão das baixas temperaturas que as últimas primaveras têm trazido e que dificultam o desenvolvimento das culturas que gostam do calor.

Sempre que a temperatura sobe na primavera, as nossas couves são fortemente atacadas pela larva da mosca da couve (o “bago-de-arroz”) que destrói as raízes levando à morte das plantas. Também por este motivo desistimos de fazer nabo (outra brassica)  durante o verão. Assim, este ano apostámos em duas medidas de combate: por um lado cobrimos os camalhões com filme plástico preto (que simultaneamente evita o crescimento de ervas e dificulta a postura dos ovos  no solo húmido junto do pé da planta), e rede mosquiteira. A rede deverá manter longe não só a mosca da couve como as borboletas brancas que depois dão origem às lagartas da couve, e a áltica. No caso da áltica contudo, estamos a aguardar para ver o resultado uma vez que só conseguimos encontrar rede com uma malha de 1.5mm e a áltica tem tamanhos que varia dos 1.5mm a 3mm, sendo que os juvenis ainda poderão passar neste crivo.

O filme plástico preto estamos a colocar na maioria das culturas que têm um ciclo de vida relativamente longo e/ou que permitem colheitas sucessivas nas mesmas plantas – couves, tomateiros, beringelas, pimentos, melão, morangueiros. A rega nestas culturas é feita por fita de gota, que fica sob o filme.

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No caso das courgettes, e também dos tomateiros, beringelas e pimentos – culturas que querem calor – optámos por manta térmica imediatamente a seguir à transplantação. As courgettes são regadas por gota e ficaram cobertas até ao aparecimento das primeiras flores, altura em que as destapámos para permitir a polinização. Resultou muito bem e elas estão bonitas e produtivas – já estamos a colher belos exemplares destas plantas que são tão generosas!

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As alfaces, assim que foram para a terra, começaram a ser debicadas e tivemos de as cobrir com rede anti-pássaros para as proteger das perdizes que abundam nesta zona. Até ver está a resultar e as plantas estão a começar a recuperar. Também iremos colocar esta rede sobre os morangueiros quando começarem a produzir para as proteger dos melros. Esta é uma rede bastante flexível (conseguimos esticá-la até 4m metros e tapar em simultâneo 3-4 camalhões) mas tivemos de usar arcos de arame grosso (5mm)*  para a suster, e pedras para a segurar junto ao solo.

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*este arame compramos ao quilo numa loja de ferragens e fazemos arcos com 1m – esta espessura é suficiente para suportar as mantas térmicas ou as redes e dá-lhes resistência suficiente para serem espetadas na terra e manterem a forma.

Finalmente, a tela de chão tecida (ou geotêxtil). A nossa horta está dividida em vários blocos, segundo o grupo das culturas (solanáceas, brassicas, cucurbitaceas, quenopodiáceas, asteraceas, aliáceas, etc) e que iremos rodar entre si para garantir a rotatividade – falaremos mais em pormenor sobre as alterações que fizemos este ano num outro post. A questão é que nunca semeamos ou plantamos cada bloco de uma só vez. Assim, à medida que vamos preparando os camalhões, cobrimos os que não vamos plantar nas próximas semanas com a tela para conseguirmos três coisas: 1) evitar o crescimento das ervas daninhas (numa espécie de falsa sementeira às escuras, em que as ervas daninhas emergem com o calor, escuridão e humidade que se fazem sentir debaixo da tela para logo depois morrerem devido à ausência prolongada de luz); 2) matar as ervas daninhas já existentes pelo mesmo efeito referido atrás (a ausência de luz); e 3) ajudar a manter a humidade no solo para ser mais fácil de trabalhar quando se destapa.

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No final da época faremos o balanço destas medidas, mas até ver está a resultar – menos ervas e plantas bonitas e produtivas (neste momento ainda só temos o resultados das courgettes, mas a diferença para o ano passado é notória, com já mais de 10kg apanhados numa semana!).

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culturas resistentes

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Após cerca de três meses de ausência da horta, escusado será de dizer que as ervas cresceram à vontade, estão grandes e por todo o lado, parece uma selva em miniatura. É uma visão que nos deixa um pouco desanimados, quando comparamos com as imagens da nossa horta de verão, tão organizada e produtiva.

Mas quando olhamos mais de perto, vemos que esta mistura de verdes e castanhos, esconde os seus segredos. Algumas culturas, que não chegaram a ser colhidas por não estarem prontas no inicio de Outubro, resistiram até agora, apesar de não terem sido cuidadas, de terem que competir com um mar de ervas daninhas, e ataques de lagartas, caracóis e lesmas. Agora em Janeiro, voltámos a comer vegetais da nossa horta, fazemos sopas de alho francês com funcho e aipo de raiz, couves de bruxelas salteadas, espargados de acelgas e uns chucrutes de couve roxa.

Na fase em que estamos, comermos vegetais nossos, que continuam a ser os melhores que já provámos, dá uma motivação extra.

recomeço

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Este ano estamos a sentir que está tudo a começar de novo, a longa paragem forçada fez com que tivéssemos muito tempo para reflectir e avaliar todo o que já fizemos, e depois de tanto tempo sentimos que estamos a começar tudo de novo.

À semelhança da horta, que se encontra em estado selvagem, também os nossos planos para este ano estão a passar por uma profunda revisão, de acordo com o projecto inicial este devia ser o ano em que a produção e comercialização deveriam estar consolidadas, e já poderíamos começar a pensar noutros voos, mas em vez disso estamos de volta aos lápis e aos papeis a tentar planear de modo a que não seja necessário voltar a interromper a produção.

Mas como dizem, ano novo vida nova, e estamos cheios de esperança que com as alterações que planeamos, a produção arranque em força, para não mais parar!!!

Feliz 2014 :)

Outono na horta e pausa para o inverno

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Até para fazer uma pausa é preciso preparar a horta. Este ano a nossa época ativa foi curta mas o verão foi bom – apesar do começo tardio depois das chuvas que se prolongaram até abril lá conseguimos voltar ao mercado e colher o que de melhor a horta nos deu. Soube a pouco! Este ano decidimos parar voluntariamente no inverno e vamos regressar para o ano, se o inverno for ameno e assim o permitir, com sementeiras de primavera-verão logo a partir de fevereiro. Até lá temos muito que planear, muitas contas a fazer, alguns investimentos para melhorar a rentabilidade do nosso pequeno pedaço de terra.

Mas antes de parar estamos a preparar a horta. A estufa está finalmente arranjada e esperamos que aguente os ventos habituais dos meses que aí vêm. Retirámos a rede que estava a vedar algumas zonas por causa dos coelhos, retirámos a rega para não desaparecer no meio das ervas e para deixar o solo pronto para quando o trator puder entrar na horta; apanharam-se as abóboras todas, o Benjamim foi guardado dentro da estufa. Falta apanhar duas linhas de batata doce e arranjar e transplantar os morangueiros que entretanto já se reproduziram. Se não chover entretanto, o trator ainda vai triturar restos de culturas e ervas que ficarão a decompor sobre o solo.

Ainda é possível encontrar alguns vegetais a espreitar por entre as ervas, alguns tomates resistentes nas plantas já velhas, alguma acelga e espinafres que gostaram das últimas chuvadas que cairam ainda há dias, mas tirando o que vamos trazendo para casa podemos dizer que estamos fechados para… descanso.

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Polinização cruzada – Cucurbitaceas

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Abóboras, courgettes, melão, pepinos – são todas culturas da família das Cucurbitaceas. Estas plantas estão dependentes da polinização feita por abelhas para produzirem frutos viáveis, e visto que pertencem à mesma família é natural surgirem algumas dúvidas sobre a possibilidade de se cruzarem entre si. O ano passado plantámos estas variedades lado a lado, apenas uma linha de cada e se para as courgettes correu bem e elas produziram bastante, com as Musquée de Provence e as cabaça a produção foi muito baixa. Isso levou-nos a estudar um pouco mais estas culturas e a forma como elas se reproduzem.

Geralmente as Cucurbitaceas produzem flores masculinas e flores femininas em locais diferentes da mesma planta, sendo que as flores masculinas estão encarregues de produzir o pólen e as femininas produzem os frutos. A excepção são os melões cantaloupe que também produzimos o ano passado e que têm quase exclusivamente flores masculinas e algumas flores hermafroditas que não se podem auto-polinizar, tornando a polinização ainda mais complicada.

A proporção de flores masculinas para flores femininas é geralmente de 10:1, sendo muito superior em algumas variedades, e estas surgem cerca de 10 dias antes das flores femininas. As flores, tanto as masculinas como as femininas só costumam abrir por um dia e depois caem. As flores femininas que não forem polinizadas também caem, mas as que foram polinizadas e começarem a produzir frutos podem coexistir com outras flores femininas da mesma planta, permitindo polinizações simultâneas.

Quem não quiser estar dependente das abelhas pode facilitar a polinização com um cotonete, retirando o pólen das flores masculinas e passando-o para as flores femininas que estejam abertas nessa altura – apesar de trabalhoso assegura maiores produtividades e é uma experiência que vamos fazer este ano. Outra coisa que também já fizemos diferente foi colocar as plantas em blocos (formando quadrados ou rectângulos) da mesma variedade em vez de uma única longa linha, para facilitar o trabalho das abelhas.

Para que não haja dúvidas, a polinização cruzada só vai ocorrer entre cultivares do mesmo grupo (que no nosso caso foram/são):

Grupo Cucurbita pepo – courgettes e abóbora patisson
Grupo Cucurbita moschata – abóbora Musquée de Provence, abóbora cabaça
Grupo Cucumis sativus – pepino
Grupo Cucumis melo – melão cantaloupe

Este ano optámos por fazer um bloco com cerca de 120 abóboras Musquée de Provence, outro de courgette, mais um de pepinos e um outro de melão (não vamos produzir patissons nem cabaças para evitar cruzamentos).

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Actualização a 02-08-2013: deixamos aqui um exemplo de cruzamento que ocorreu nas nossas plantas no ano passado e que já é visível em alguns dos frutos deste ano – chamamos-lhes “patigettes”, um cruzamento que ocorreu dentro do Grupo Cucurbita pepo entre as courgettes e as patisson brancas. As sementes deste fruto não deverão ser viáveis, ou podem ser para o ano mas não mais que isso. IMG1283

 

Os nossos morangueiros

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Os nossos morangueiros são o nosso orgulho, após um começo complicado o ano passado, estão a recuperar com força, já a dar morangos e a propagarem-se a toda a velocidade.

Estes são da variedade “Mara-du-bois”, são pequenos e têm um cheiro e um paladar intensos e estamos ansiosos para que fiquem bem vermelhos para os podermos aproveitar. Por enquanto são só para nós, como não encontrámos já com certificado bio ainda estão em periodo de conversão. Os que já propagámos são considerados como certificados, mas como ainda são poucos vamos esperar mais um ano e depois certificamos o morangal por inteiro.

Até lá vamos multiplicando-os e mante-los verdejantes.

Crop Planning for Organic Vegetable Growers

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Para quem nunca teve contacto com a produção agricola profissional, conseguir planear as épocas antecipadamente tem sido o nosso maior desafio. Já tinhamos falado aqui do planeamento de culturas, e agora aproveitamos para voltar a esse assunto.

Seguindo uma sugestão que nos fizeram, fomos dar uma vista de olhos a um livro que é publicado pela Associação de Produtores Biológicos do Canadá (COG), e que se chama “Crop Planning for Organic Vegetable Growers“, não poderia ser mais indicado para nós. Este livro é uma verdadeira fonte de conhecimento principalmente para quem acaba de começar, e para todos os que estão a pensar em começar e não conseguem visualizar como é que se consegue viver exclusivamente de uma pequena horta em modo de produção biológico.

O livro trata desde o estabelecimento de objetivos financeiros, passando por planeamento de sementeiras, datas de colheitas, gestão do solo, e do espaço em estufa, análise de rentabilidade de cada cultura, e planeamento da época seguinte com base nos dados recolhidos e resultados obtidos. Vai ser sem dúvida uma ferramenta fundamental para a nossa próxima época.

Outra coisa que nos deixou bastante satisfeitos foi toda a rapidez do processo, os canadianos são bem certinhos, e os correios funcionaram impecávelmente, demorou cinco dias a chegar.

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Vento forte

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Com o dia de sol e sem vento que está hoje, até é dificil acreditar no temporal que esteve a semana passada, para nós foram dias de sobresalto e de angustia, sempre que chegávamos à horta estavamos preparados para encontrar a estufa destruida pela força do vento. Como é óbvio, não foi a primeira vimos vento forte, nem a nossa estufa seria a primeira estufa que veriamos destruida, mas foi a primeira vez que tivemos tanto a perder por causa de algo que não controlamos, e isso dá muito que pensar…

Felizmente a nossa estufa resistiu, não sem estragos é claro, mas ainda está lá com alguns plásticos rasgados, portas tortas e uns aros partidos, nada que não tenha reparação, infelizmente não foi o caso de muitos agricultores que ficaram com estufas e produções completamente destruidas. Depois de muitos anos a ver na televisão, desta vez sentimos na pele o que poderiamos ter perdido, e como teria sido dificil refazer o que se estragara.

O solo por outro lado, não está a lidar nada bem com este inverno, e o temporal só veio piorar o estado em que  já se encontrava, muita água por todo o lado, e isso não é bom para as culturas, nem para limpar as ervas daninhas, nem para preparar o terreno para novas plantações. Esperamos agora que estejam umas semanas sem chover, para nos prepararmos para as culturas de verão.

O inverno é difícil…

O inverno é difícil, os dias são muito mais curtos, tem chovido muito na nossa horta, o solo está muito frio, as culturas estão a demorar uma eternidade a ficarem prontas, e a maior parte dos dias não dá para fazer nada na horta porque é lama por todo o lado. A nossa motivação por estes dias anda em níveis mínimos.

Apesar de termos tentado antecipar esta situação e termos plantado 2/3 do terreno (é o máximo que já tivémos ocupado de uma só vez), a verdade é que tirando as couves portuguesas não se está a desenvolver mais nada.

Por esta altura andamos cheios de saudades do bom tempo e dias longos, onde uma alface ficava pronta em três semanas, mas pronto, o bom a agricultura é que depois da chuva vêm sempre dias de sol.

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