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Aplicação de produtos fitofarmacêuticos em AB

[batata com calda bordalesa, a azul]

A agricultura biológica é um modo de produção de alimentos que favorece um conjunto de práticas prioritárias que minoram a necessidade de aplicação de produtos fitofarmacêuticos – proibindo alguns deles por completo e recorrendo a outros, em situações excepcionais, de base essencialmente vegetal e não de síntese química pura. Quando as práticas prioritárias não são suficientes e existe um perigo imediato de ataque às culturas (seja por doenças ou pragas conhecidas) existem alguns produtos auxiliares a que se pode recorrer e que estão homologados em Portugal pelo Ministério da Agricultura, Direcção Geral de Protecção das  Culturas (DGPC). Em caso de dúvida convém consultar o Guia dos Produtos Fitofarmacêuticos em Modo de Produção Biológico, disponível em formato pdf no site do MAMAOT e onde constam para cada tipo de cultura as doenças e pragas e respectivos produtos a aplicar, e respectivas doses autorizadas. Em todo o caso há uma grande diferença entre os produtos autorizados no modo de produção biológico e os utilizados em grande escala na produção convencional: para começar a grande escala e as grandes quantidades, que em AB normalmente não acontecem, por não haver necessidade, e que diminui o impacto de agentes químicos nos ecossistemas. Por outro lado temos a base vegetal, como já dissémos, que constitui a maior parte dos produtos autorizados (extractos vegetais). Geralmente actuam especificamente sobre determinados organismos e não sobre um espectro alargado – ou seja, não dizimam populações inteiras de auxiliares também. E outra característica destes produtos é muitas vezes actuarem sobre o ciclo reprodutivo das pragas, ou causando confusão sexual, ou ainda actuarem sobre uma fase muito especifica do ciclo (no caso do Bacillus thuringiensis, apenas as larvas das borboletas da couve são parasitadas por esta bactéria, não adiantando aplicar nos ovos ou na borboleta em si).

No nosso caso, as primeiras culturas que pusémos na terra – a couve portuguesa – sofreram um ataque feroz por parte da áltica, um escaravelho muito pequenino e que até é chamada de pulga por saltar, e que fura as folhas das plantas deixando-as completamente rendilhadas levando em alguns casos à morte. Nessa altura, e porque tínhamos seis linhas de 30 metros cada com couve optámos por recorrer ao ALIGN, que é um produto cujo princípio activo é a azadiractina, extraída da planta Azadirachta indica, e que funciona como insecticida – não mata a áltica mas interfere com o seu ciclo reprodutivo. Sendo assim, após a aplicação cobrimos as plantas com manta térmica, o que evitou recolonizações posteriores. No inverno a actividade desta praga diminui com o frio, e agora o que temos feito é transplantar as plantas e cobri-las imediatamente com a manta térmica. Desta forma diminuimos os ataques e também a aplicação de produtos, e tem resultado relativamente bem.

No campo da aplicação preventiva de produtos, fizemo-lo já este ano com a batata. Semeámos as batatas no final de fevereiro e como sabem este não foi um inverno típico – não choveu e esteve frio. No final de abril houve previsões de chuva em quantidade e por isso o perigo de ocorrência de míldio era elevado. Optámos então por fazer uma aplicação de calda bordalesa, que é um produto autorizado em agricultura biológica (no máximo até 6kg/ha/ano) e que é cobre na forma de sulfato de cobre e que se destina à prevenção de ataques por fungos como é o míldio. Fizemos uma segunda aplicação em meados de maio um dia antes de nova chuvada.

Ao que consta, os esporos de míldio encontram-se no solo em estado dormente até cairem as primeiras chuvas e os activarem e projectarem com o impacto para cima, para a parte inferior das folhas das plantas, que é onde se detectam os primeiros sintomas de ataque. Quando fazemos uma aplicação de calda bordalesa (de cor azul por causa do cobre e que depois fica bem vísivel a cobrir as folhas da planta) criamos uma capa protectora, e por isso é que a aplicação convém ser feita um ou dois dias antes das primeiras chuvas – para o produto secar nas folhas e não haver escorrências para o solo onde causa fitotoxicidade. Assumindo que se foi a tempo de evitar a primeira infecção com a primeira chuva, e sabendo que a persistência da calda bordalesa na planta é de cerca de 8 dias, isso significa que 8-9 dias depois da aplicação se ainda chover pode ocorrer uma infecção. Contudo, os primeiros sintomas só surgem após 10-15 dias o que significa na prática que mesmo fazendo a primeira aplicação antes das primeiras chuvas ainda assim a segunda fase de infecção ainda é possível – obrigada Raquel pelas explicações técnicas! percebi bem?. As nossas batatas parecem ter fintado as infecções, e ao que parece as primeiras são as mais perigosas, e estão grandes e saudáveis. Até já tirámos algumas batatas para provar e são macias e sem doenças. Não sabemos se terá sido por isso, mas plantámos alho no meio das batatas (um dente de alho de 2 em 2 metros nas linhas) e também não tivemos escaravelho da batata nem traça.

Quanto aos afídeos, na estufa e logo ao início tivémos um forte ataque na rúcula, mas pensamos ter sido por excesso de calor e humidade porque ao ar livre não estamos a ter esse problema. E tivemos uma invasão da horta por parte de joaninhas e suas larvas vorazes (ver na foto) que num ápice limparam os afídeos que já estavam a atacar em força as ervilhas e as favas, por isso o sistema parece estar a funcionar bem, as consociações estão a resultar (por exemplo a cenoura junto da cebola evitou completamente o ataque por mosca da cenoura) e não está a precisar de grandes intervenções por parte de produtos fitofarmacêuticos.

[larva de joaninha a comer um afideo]

Remodelações na horta

Foi a muito custo que o fizemos mas teve de ser… arrancámos as chicórias e as cenouras. Cenouras baby (porque as apanhámos claramente antes de tempo) e chicórias enchem-nos agora o frigorífico e fazem parte de todas ou quase todas as refeições. Foi necessário afastar o caixote da parede onde estava encostado, para evitar a acumulação de humidade e facilitar o acesso. A questão é que quase 300 litros de terra não são fáceis de mover e por isso tivemos de retirar metade da terra (e do conteúdo) e recorrer a cordas para mover o caixote. A boa notícia é que já temos um segundo caixote pronto a receber novas plantas! A segunda boa notícia é que encontrámos uma (uma!) minhoca no caixote, o que é sinal de que havia nele condições favoráveis à sua actividade “melhoradora” do solo. A má notícia é que as cenouras estavam CHEIAS de lagartinhas verdes. Duvido que estivessem só a tomar conta delas…

arrancar_cenouras

DSC_0311

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Bem, como disse no início, neste momento já temos dois caixotes de 1m x 1m. Na terra de um deles – o primeiro – ainda temos cebolinho e no lugar dos rabanetes plantámos entretanto tomateiros e manjericão. Ainda vamos pensar no que vamos colocar a seguir nestes caixotes (quase) vazios. Talvez rúcula. Feijão. Para tudo o resto a época da sementeira já passou, infelizmente. Beterrabas, courgettes, nabos – devia ter ido tudo para a terra até ao início de Julho.

Os 4 tomateiros do vaso estão ENORMES. Só lhes estamos a pôr água e já têm mais de meio metro de altura e folhas enormes, quase mutantes… mas já se vêm os botões das flores, por isso façam figas.

A courgette apanhou míldeo (ou oídeo?). Seja como for é um fungo que forma uma fina camada de “pó” branco nas folhas, que agora estão secas e amarelas. Seguindo a sugestão da Gayla Trail – a mais genial expert das hortas urbanas – pulverizámos as folhas novas (e ainda saudáveis) com leite diluído e esperamos que resulte. De qualquer forma, não resistimos e colhemos meia dúzia de flores, que  recheámos com pão, alho e manjericão da horta, e fritámos ao estilo de filetes para o almoço de domingo – uma maravilha! Das cenouras aproveitámos a rama, e vamos experimentá-la nas sopas.

cenouras
PS – Vamos esta semana visitar mais um terreno potencial… será desta?