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Caixa de correio

Por esta altura as burocracias com a criação da empresa estão praticamente todas tratadas – só falta o último ponto referido no post sobre criação de empresas (2ª parte). A chuva, o vento e frio não têm dado tréguas e por isso tem sido difícil continuar os trabalhos de limpeza do terreno a quatro mãos e expostos aos elementos. A realização dos contratos de apoio técnico e certificação também estão a demorar mais do que o planeado, e requerem vários telefonemas e e-mails para irem avançando… Ainda assim, temos recebido com muita satisfação a oferta de ajuda (e de mais mãos!) para os trabalhos do terreno que aí vêm – obrigado!

E algo curioso que com que não estávamos a contar: desde a semana em que criámos a empresa temos tido praticamente todos os dias pelo menos uma carta de uma qualquer empresa na caixa de correio a oferecer os seus serviços ao nosso recém-nascido empreendimento. Já tivemos contabilistas, empresas de design e imagem corporativa, equipamento de escritório. Bem, achámos curioso mas, numa perspectiva de angariação de novos clientes, estar “em cima” das novas empresas que vão nascendo (os registos de novas empresas são públicos e podem ser consultados aqui) é uma estratégia inteligente. Aliás, ainda não deitámos nenhuma das cartas fora. Nunca se sabe.

empresa na hora – 2ª parte

[para quem perdeu a 1ª parte, pode ler aqui – empresa na hora – 1ª parte“]

depois do primeiro percalço com o nome escolhido, e após recuperarmos do choque de não podermos utilizar o nome em que pensávamos há pelo menos um ano, decidimos dedicar mais tempo e concentração à escolha de um novo nome, e já agora também de uma segunda, terceira, quarta e quinta opção, não fossem os senhores dos registos não autorizar o nome que viesse a ser escolhido. este processo acabou por ser engraçado e desgastante ao mesmo tempo, e mais tarde terá direito a um post próprio.

no que diz respeito à nossa experiência estes serviços burocráticos on-line funcionam consideravelmente bem. escolhemos o novo nome, preenchemos novamente o formulário, desta vez aproveitamos também para melhorar o objecto social, pagámos novamente os 56€ e ao fim de três dias úteis recebemos um mail que tinha no titulo “Pedido Deferido“, e fizemos uma festa :D

outra questão a ter em conta, é a escolha do pacto social – o pacto social é o contrato da sociedade que é assinado pelos sócios – esta escolha é importante porque tem impacto no custo dos emolumentos (o que se paga para tratar da papelada) e na celeridade do processo. existem duas opções, o pacto social livre e o pacto social pré-aprovado. no pacto social livre os sócios escolhem os artigos e as condições em que é formada a sociedade, esta opção resulta em emolumentos no valor de 360€ e a espera pela a aprovação do pacto social pelos serviços competentes. o pacto social pré-aprovado tem duas modalidades, que consistem basicamente em duas minutas que simplificam o processo. neste caso os sócios limitam-se a preencher os campos livres, como o nome da firma e dados dos sócios, e assinam no fim. a escolha do pacto social pré-aprovado, tem aprovação imediata e emolumentos no valor de 180€.

chegados a este ponto estávamos prontos para passar cerca de uma hora em frente ao computador, e navegar pelo processo de criar a nossa própria empresa. tínhamos contabilista, certificado de admissibilidade válido, dois cartões de cidadão, um leitor de cartões devidamente instalado no computador, e optámos pelo segundo modelo do pacto social pré-aprovado, e lá fomos nós. o processo está bem explicado e é fácil de seguir e consiste em ir preenchendo os campos em branco e clicando em seguinte no final de cada página, no fim é só fazer download do pacto social, assinar digitalmente o documento, e fazer o upload no mesmo, juntamente com a adesão ao centro de arbitragem. usando isto tudo nem sequer é preciso imprimir nada. chegando ao fim aparece o comprovativo de registo com a respectiva referência de pagamento multibanco, para saldar o valor devido pelos emolumentos. fomos ao site do banco e pagámos de imediato, tínhamos 48 horas, mas assim ficou logo tratado. desligámos o computador e fomos celebrar.

no dia seguinte durante a manhã recebemos a confirmação e a publicação da escritura no site do ministério da justiça, e agora era oficial, já estava mesmo criada. passos a seguir e prazos:

– cinco dias para depositar o capital social numa conta titulada pela empresa;

– quinze dias para ir às finanças com o contabilista dar o inicio da actividade, é necessário levar o nib da conta, a certidão permanente da sociedade, o pacto social e o comprovativo de registo que é emitido pela conservatória;

– comprar livro de actas e registá-lo nas finanças (custo total cerca de 50€, livro + registo);

– trinta dias para inscrever os gerentes na segurança social.

depois destas burocracias todas tratadas é “só” começar a trabalhar para produzir. ah, e não esquecer que de vez em quando há obrigações fiscais para cumprir, mas isso será outra história…

empresa na hora – 1ª parte

empresa_na_hora

um dos passos importantes que faltava dar, não só para oficializar a nossa actividade, mas também para as coisas começarem a andar com mais ritmo, esperamos nós, era a criação da nossa “nano-mini-micro” empresa. então aqui fica mais ou menos o que aconteceu com o nosso processo.

como é natural, quando começámos a pensar mais a sério sobre o assunto tínhamos mais dúvidas que certezas, por isso as muitas horas perdidas no portal da empresa foram dadas por bem empregues. há muita informação disponível não só a respeito dos procedimentos para criar empresas, mas também em relação à sua gestão – é definitivamente um site a ter em conta. alguma das coisas que descobrimos foi que teríamos que criar uma sociedade por quotas com dois sócios, que existe um capital social mínimo – mas que agora parece que vai deixar de haver -, que para este tipo de sociedade é obrigatório ter um TOC (técnico oficial de contas), e que já é possível tratar de tudo pela net.

como a contabilidade organizada é obrigatória e ainda tínhamos algumas duvidas práticas, sobre fiscalidades ou os tempos dos processos, começámos à procura de um contabilista. dá sempre jeito ter um contabilista amigo de um amigo, porque podemos combinar um encontro para tirar dúvidas sem compromissos. assim fizemos, ficámos esclarecidos sobre as entregas do iva, do irc, dos pagamentos por conta, dos especiais por conta, e dos períodos de isenção, que são de dois anos nos pagamentos por conta. depois de uma pesquisa por vários contabilistas acabámos por ficar com o contabilista amigo do amigo. a contabilidade é um assunto importante e convém ter alguém que inspire muita confiança e conhecimento na matéria.

já agora deixamos uma dica em relação à escolha do contabilista. estes profissionais gostam de conhecer o potencial cliente pessoalmente – seja para avaliarem a nossa seriedade e empenhamento no negócio, ou para perceberem o trabalho que irá exigir da parte deles. de qualquer forma convém prepararem-se para não terem orçamentos indicados por telefone ou enviados por e-mail. e não levem isso a peito.

tendo o assunto do contabilista resolvido passámos à criação da própria empresa. como disse dá para tratar o processo todo pela net (abençoado simplex), mas para isso é preciso ter o cartão do cidadão e um leitor de cartões (à venda nas lojas do cartão do cidadão) – depois de ter estas duas condições satisfeitas o processo é bastante simples. a primeira coisa a ter em conta é a escolha do nome, se optarmos pela lista dos “nomes fantasia”, que são nomes pré-aprovados, conseguimos criar a empresa em menos de uma hora, se não gostarmos de nenhum nome fantasia, temos que pedir um certificado de admissibilidade e esperar a aprovação do nome que escolhermos. este certificado tem um custo de 56€ e tem de incluir o objecto social (o que é que a empresa vai fazer), o CAE (classificação da actividade económica), e o concelho da sede social, para além do nome pretendido. existem algumas regras para a escolha do nome da firma, que convém respeitar, porque eles levam isso a sério, e nós vimos o nosso primeiro pedido ser indeferido por termos escolhido um nome que também é um produto que vamos comercializar. convém também ter uma segunda hipótese, porque existe a possibilidade de usar o mesmo pedido uma segunda vez no prazo de cinco dias, sem mais nenhum custo, nós não tínhamos uma segunda escolha, e esta é a história de como perdemos os nossos primeiros 56€.

como explicar o processo de abertura da empresa é mais demorado do que realmente criar uma, e este post já está a ficar grande, por aqui me despeço e continuo no próximo post.

[podem ler a continuação aqui – “empresa na hora – 2ª parte“]