Fotos e Histórias

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Vida selvagem

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A nossa horta tem muitas coisas boas, que o digam os inúmeros animais que escolheram fazer por lá a sua casa. Temos coelhos que correm por todo o lado a esconderem-se assim que abrimos o portão. Perdizes que passeiam alegremente com os seus perdigotos em “fila indiana” quando não percebem que estamos por lá a ver. Ratos pequeninos do campo, que são uma verdadeira desgraça para as nossas culturas de raizes. Cobras que temos esperança serem rateiras, mas que claramente não chegam para manter os ratos controlados. Passarinhos que se deliciam a voar dentro da estufa a apanhar borboletas. Um exército bem treinado de joaninhas que é de uma eficácia esmagadora na luta contra os afideos. Temos osgas, lagartos e lagartixas, aranhas, vespas, abelhas, abelhões e ainda muitas minhocas que indicam que o solo está a ficar mais saudável.

Em suma, na nossa horta reina a biodiversidade. É verdade que nem sempre nos ajuda, e a maior parte das vezes até causa prejuízos consideráveis, que vamos tentar ir controlando ao poucos, melhorando o equilibrio entre as espécies. Mas não temos dúvidas que o modo de produção biológico é fundamental para manter todo este ecosistema que vive à nossa volta.

Desafios

Quase um ano passado desde que entrámos em actividade, não podemos ainda dizer que somos agricultores e muito menos especialistas. Mas se deitar sementes à terra, vê-las crescer para se tornarem plantas saudáveis, colhê-las e vendê-las não é ser agricultor, pelo menos já é alguma coisa. Temos aprendido imenso, e a maior aprendizagem sem dúvida que não está nos livros, está na prática. Desde que agarrámos este desafio já fomos contabilistas, canalizadores, electricistas, designers, vendedores, conversadores profissionais com os nossos clientes, biólogos, entomologistas, realizadores de filmes, fotógrafos.

As pragas estão a voltar à medida que o tempo aquece: áltica, borboletas das couves, bago de arroz… coelhos! mas estamos a observar também vários auxiliares como larvas de joaninhas, aves insectívoras, opiliões, dípteros. As flores das couves e dos trevos e luzernas estão a atrair centenas de abelhas, abelhões e bombos, e acreditamos que a nossa horta está a tornar-se uma verdadeira horta biológica e a começar a gerir-se com um pouco da nossa ajuda. As ervas – apesar de benéficas para a adubação verde como as luzernas – cobrem todos os cantos que não estão a ser utilizados e parecem estar prestes a engolir a nossa produção se não as controlarmos.

Mas actualmente o nosso maior desafio está a ser conseguir manter uma produção contínua de vários produtos. Ainda existem muitos aspectos importantes que não estamos a conseguir prever, mas esperamos que seja algo que vem com a experiência e afinal ainda não completámos um ano agrícola e só apanhámos a campanha de outono inverno.

Os diferentes tempos de produção que as culturas têm, nas diferentes alturas do ano (no inverno desenvolve-se tudo tão lentamente!), e os diferentes ritmos de procura por parte dos nossos clientes, provocam-nos indisponibilidade de alguns produtos, que depois não conseguimos repor com a agilidade que gostaríamos.

Bem, estamos sempre a aprender e a tentar superar os desafios, e já começámos a fazer sementeiras regulares de vários produtos, e pelo menos com os espinafres achamos que já acertamos com o ritmo ;)

Pragas e auxiliares

Nem tudo são rosas no doishectaresemeio (ironia em destaque, já que aqui costumava haver uma exploração de rosas). Tínhamos uma leve esperança que as primeiras culturas não fossem fortemente visitadas por pragas uma vez que este era um terreno abandonado, onde não era feita agricultura e onde em princípio não estariam latentes vírus ou doenças específicas dalgumas das plantas que vamos produzir. Mas a fauna apareceu, como não poderia deixar de ser. A terceira semana da germinação foi crítica – até aí foi só regar de manhã e à noite e arejar, e as plantas cresciam a cada dia, fortes e saudáveis. Depois começaram a aparecer visitantes, uns “bons” outros mais indesejáveis. As couves portuguesas começaram a ficar rendilhadas por áltica (falaremos delas em pormenor noutro post), um gafanhoto verde quis ver o que se estava a passar, uma ou outra mosquinha branca (prontamente eliminadas entre polegar e o indicador), afídeos (aaahhh… afídeos é que não), e outros insectos não problemáticos, e até úteis.

Até ver, os que estão ilustrados nas fotos não fizeram qualquer estrago pelo que admitimos serem auxiliares, ou pelo menos indiferentes. Quanto aos afídeos e às álticas… Os estragos estão a ser visíveis nas couves.

A boa notícia é que os auxiliares começaram a aparecer e a fazer o seu trabalho – larvas predadoras e insectos parasitóides começam lentamente a entrar em acção, mas não sabemos se vai ser suficiente:

Braconideos do genero Aphidius a parasitar afideos
Para além dos produtos homologados para aplicação em agricultura biológica, temos outras soluções de produção caseira que queremos experimentar e que nos foram sugeridas por quem nos está a dar apoio técnico.
Deixamos aqui a receita para chorume de fetos – que é um repelente de insectos que podemos aplicar sem intervalos de segurança e que serve como acção preventiva:

 

1 kg de fetos frescos
10 L de água (de preferência da chuva)
Colocar os fetos num recipiente com 10L de água e deixar ficar cerca de 15 dias (se necessário colocar uma pedra para manter os fetos debaixo de água). Após esse período retirar as plantas e guardar o líquido/chorume. Para aplicar, diluir a 10% – ou seja, na prática 1kg de fetos dá para 100L de repelente.