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Pragas e auxiliares

Nem tudo são rosas no doishectaresemeio (ironia em destaque, já que aqui costumava haver uma exploração de rosas). Tínhamos uma leve esperança que as primeiras culturas não fossem fortemente visitadas por pragas uma vez que este era um terreno abandonado, onde não era feita agricultura e onde em princípio não estariam latentes vírus ou doenças específicas dalgumas das plantas que vamos produzir. Mas a fauna apareceu, como não poderia deixar de ser. A terceira semana da germinação foi crítica – até aí foi só regar de manhã e à noite e arejar, e as plantas cresciam a cada dia, fortes e saudáveis. Depois começaram a aparecer visitantes, uns “bons” outros mais indesejáveis. As couves portuguesas começaram a ficar rendilhadas por áltica (falaremos delas em pormenor noutro post), um gafanhoto verde quis ver o que se estava a passar, uma ou outra mosquinha branca (prontamente eliminadas entre polegar e o indicador), afídeos (aaahhh… afídeos é que não), e outros insectos não problemáticos, e até úteis.

Até ver, os que estão ilustrados nas fotos não fizeram qualquer estrago pelo que admitimos serem auxiliares, ou pelo menos indiferentes. Quanto aos afídeos e às álticas… Os estragos estão a ser visíveis nas couves.

A boa notícia é que os auxiliares começaram a aparecer e a fazer o seu trabalho – larvas predadoras e insectos parasitóides começam lentamente a entrar em acção, mas não sabemos se vai ser suficiente:

Braconideos do genero Aphidius a parasitar afideos
Para além dos produtos homologados para aplicação em agricultura biológica, temos outras soluções de produção caseira que queremos experimentar e que nos foram sugeridas por quem nos está a dar apoio técnico.
Deixamos aqui a receita para chorume de fetos – que é um repelente de insectos que podemos aplicar sem intervalos de segurança e que serve como acção preventiva:

 

1 kg de fetos frescos
10 L de água (de preferência da chuva)
Colocar os fetos num recipiente com 10L de água e deixar ficar cerca de 15 dias (se necessário colocar uma pedra para manter os fetos debaixo de água). Após esse período retirar as plantas e guardar o líquido/chorume. Para aplicar, diluir a 10% – ou seja, na prática 1kg de fetos dá para 100L de repelente.

 

5 comments to Pragas e auxiliares

  • Anabela

    Há 2 semanas experimentei o de tomateiros num arbusto que estava cheio de afidios negros e resultou,até hoje desapareceram e não voltaram. Mas convém fazer aplicações de vez em quando. Não sei bem com que intervalo.
    Aqui vão algumas receitas que conheço:

    Folhas do tomateiro como insecticida (1)

    As folhas do tomateiro verdes ou mesmo secas fervem-se em água, depois de bem fervidas, passa-se tudo por um pano.
    Ao líquido junta-se-lhe mais folhas e volta ao lume a ferver bem, até que o cozimento fique espesso, depois guarda-se em frasco bem rolhado.
    Quando se quer empregar, deita-se 20g deste cozimento num litro de água e emprega-se.
    Jornal Horticolo-Agricola, Janeiro de 1906.

    Folhas do tomateiro como insecticida (2)

    Segundo o “Boletin Agricola de Arequipa” do Perú, as folhas de tomateiro podem ser empregadas como um excelente insecticida.
    Alguns ensaios feitos com a pulverização da água onde se haviam macerado folhas de tomateiro, deram cabo por completo dos insectos que atacavam as plantas, tais como laranjeiras, limoeiros, pessegueiros, roseiras, etc.
    Para obter bom resultado, bastam dois dias de tratamento.
    Para afugentar os insectos de uma árvore, é suficiente cobrir o solo e o tronco com as folhas de tomateiro; o resultado é magnífico.
    Os efeitos que produzem estas folhas são devidos ao alcalóide que contêm, chamado solanina.
    Os ensaios feitos na estação agrícola de Arequipa deram bons resultados.
    Jornal Horticolo-Agricola, Março de 1904

    Insecticida de Chrysantemum cinerariifollium

    O Chrysantemum cinerariifollium produz um insecticida natural muito utilizado em agricultura biológica que paralisa pulgões, mosca branca e ácaros. Tem um nível de toxicidade baixo e é pouco persistente (máximo 72h).

    Como se faz:
    Macerar 50gr de flores secas e moídas em 1 litro de água durante 24h. Filtrar e guardar bem fechado protegido do calor e da luz.

    Absinto (Artemisia absinthium)

    A Artemisia absinthium produz um insecticida eficaz na luta contra pulgões, ácaros, formigas, etc…

    Preparação:
    Macerar 300gr da planta, fresca, ou 30gr da planta seca por cada litro de água durante uma semana. Depois de filtrado deve pulverizar as plantas afectadas de pragas de 15 em 15 dias.

    Absinto 2

    Recomenda-se a sua utilização na protecção de plantas devido à sua acção fungicida em que se utiliza um extracto fermentado (1kg de planta fresca para 10 litros de água) que depois de macerar alguns dias se aplica em pulverizações nas folhas. Indicado para a ferrugem do groselheiro. O odor do absinto afasta os insectos. Plantada próximo do canteiro das couves afasta as borboletas e junto das árvores de fruto por causa da traça.
    A sua acção repulsiva também se manifesta em infusão (100g de folhas frescas por litro de água infundida 15 minutos) que se aplica à tarde para afastar a lagarta das couves, lesmas, pulgões e lagartas da fruta.

    Insecticida de Chrysantemum cinerariifollium

    O Chrysantemum cinerariifollium produz um insecticida natural muito utilizado em agricultura biológica que paralisa pulgões, mosca branca e ácaros. Tem um nível de toxicidade baixo e é pouco persistente (máximo 72h).

    Como se faz:
    Macerar 50gr de flores secas e moídas em 1 litro de água durante 24h. Filtrar e guardar bem fechado protegido do calor e da luz.

    Tenho também um documento em PDF com mais alguns bioinsecticidas,vou enviar-vos por email.

    Espero ter ajudado
    Boa sorte

    Anabela

  • Como é que vão essas culturas?

  • Anabela

    O chorume de folhas de tomateiro e chorume de urtigas (agora não deve ser fácil encontrar) também são bons insecticidas naturais. Não sei se conhecem.

    Boas culturas e boa sorte.
    Anabela

    • filipa

      Benvinda ao nosso blogue, e obrigada pela sugestão. O chorume de urtigas conhecíamos mas de facto por esta altura não encontramos nenhuma. O chorume de folhas de tomateiro não conhecíamos, mas vamos continuar a investigar!

  • Boa sorte. Oxalá a Natureza faça o seu trabalho

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