Fotos e Histórias

Arquivo

  • 2016 (1)
  • 2015 (4)
  • 2014 (8)
  • 2013 (12)
  • 2012 (22)
  • 2011 (35)
  • 2010 (10)
  • 2009 (1)

Couves sob ataque! – pequeno manual de controlo

Chegada a altura de plantar as couves (que este ano foi em setembro) já sabemos que um dos maiores problemas vai ser o controlo das lagartas. Se o tempo estiver quente, é a áltica ou bago de arroz com que temos de nos preocupar, mas com o tempo a arrefecer no outono e a chuva a começar a cair com regularidade, é importante arranjar estratégias para interrompermos o ciclo destas pragas da cultura. Esta foi a segunda campanha de couves que acompanhamos durante o inverno e das duas vezes detetámos apenas dois tipos de lagartas: umas totalmente verdes (Pieris rapae) e outras “peludas” e de cor preta e amarela (Pieris brassicae). Ambas vêm de ovos colocados nas folhas das couves por borboletas brancas, com 3 a 5 cm de asa, mas que são de espécies diferentes (sendo as das lagartas verdes mais pequenas). Quando se começam a avistar estas borboletas a sobrevoar a horta é tempo de começar a ficar alerta – os ovos de cor amarela são mais difíceis de detetar porque são normalmente postos na página inferior das folhas, mas se for possível eliminar os ovos antes de as lagartas eclodirem, tanto melhor.

Na nossa horta as lagartas da espécie Pieris rapae são sempre as primeiras a aparecer (figura 1), e gostam especialmente das couves chinesas, mas também da lombarda e portuguesa. Os dejetos delas – verdes como as folhas das nossas couves! – são fáceis de identificar (figura 2) e à primeira deteção deve procurar a lagarta e removê-la, e continuar a vistoria às restantes plantas. Estas lagartas verdes mimetizam muito bem as plantas onde estão e por isso são por vezes difíceis de localizar, podendo acontecer estarmos a olhar para elas e não as vermos. A vantagem é que geralmente só há uma destas lagartas por planta, e raramente mais que duas. Se detetar dejetos e não vir logo a lagarta, a nossa sugestão é perder alguns minutos a inspecionar cada folha e cada veio com atenção, porque certamente vai dar com ela e evitar estragos futuros.

Untitled-5

No caso das lagartas da espécie Pieris brassicae, os ovos são postos geralmente em grupos grandes (podem ser mais de 50) e por isso quando se avista uma lagarta destas ela não vai estar só – são de certeza várias, e por isso ao encontrar uma deve sempre inspecionar-se o resto da planta cuidadosamente, em particular a página inferior das folhas (figura 3). As lagartas devem ser removidas e esmagadas, todas sem excepção – uma lagarta esquecida durantes uns dias numa planta é suficiente para causar estragos que já não permitem a sua venda, por exemplo. Se a planta for jovem e as lagartas se encontrarem nas primeiras folhas não haverá problema em esmagá-las sobre a própria folha, mas se a planta já tiver atingido a maturação e estiver pronta a colher é preferível esmagá-las entre os dedos depois de as remover para não danificar as folhas nem deixar manchas ou resíduos.

couves_sob_ataque_3_4

Este outono e inverno estão a ser particularmente chuvosos e húmidos o que favoreceu a atividade de uma série de pragas nas nossas couves que se viram durante algum tempo sob um ataque serrado que quase nos levou ao desespero (figuras 5 a 8) – lagartas da espécie Pieris brassicae, caracóis, lagartas da espécie Pieris rapae e este ano também as perdizes (figuras 9 e 10).

Untitled-3

Em relação a lagartas e caracóis, a estratégia foi simples – controlo manual. Todos os dias, a primeira tarefa ao chegar à horta, pelas 8h30, foi fazer a vistoria a cerca de 5 linhas de 40m de couve, e mais duas de brocolos – uma inspeção rigorosa e que levava cerca de 40 minutos e deu muitas dores de costas, mas que compensou. Ao fim de 3-4 semanas conseguimos interromper de alguma forma o ciclo das borboletas e passámos a encontrar lagartas apenas pontualmente a partir daí.

O ano passado adquirimos Bacillus thuringiensis para aplicação sobre as fases muito iniciais das lagartas, após a eclosão do ovo, mas nunca chegámos a utilizar. Esta bactéria que ataca as lagartas jovens tem de ser aplicada sobre as plantas secas, o que na prática nunca se mostrou viável, seja por causa da chuva ou do orvalho matinal intenso.

Em relação às perdizes foi mais complicado. Como no ano passado não tivemos problemas com elas nunca pensámos que poderiam causar grande estrago. Mas estávamos enganados – as perdizes são aves bastante territoriais, e este ano houve um grande número delas que escaparam à época de caça e que se habituaram à nossa horta. As couves (cerca de 1/3) foram debicadas e destruídas sem pena nenhuma. Ainda tentámos cobri-las com manta térmica, mas estando numa zona ventosa as couves acabavam por estar mais tempo expostas que cobertas.

Nota: identificámos a presença de perdizes não apenas por vermos o bando levantar vôo quando chegávamos à horta, mas também pelos dejetos delas no meio das couves (figura 9). Os dejetos de ave – tanto os sólidos como os líquidos – são expelidos pela mesma abertura (a cloaca) e é sempre visível uma camada branca, tornando fácil distinguir os dejectos de aves dos de outros animais.

Untitled-2

Por agora conseguimos controlar estas aves instalando um espantalho (o Benjamim!) no meio da horta, e tentanto aumentar a nossa permanência diária lá, para as perdizes se habituarem a ver lá gente a ocupar o território que achavem ser delas. Mas é possivel que elas desenvolvam habituação e voltem na primavera…

7 comments to Couves sob ataque! – pequeno manual de controlo

  • Armindo

    Boa tarde Filipa

    Eu tenho o mesmo problema nas couves coração-de-boi, mas … … em hidroponia.

    As raizes são bem protegidas no transplante pelo que sou levado a pensar que as larvas vêm do viveiro. Será que posso lavar as raízes com óleo de neem antes de as meter na hidroponia? Tenho-as lavado em água da torneira somente com o intuito de retirar (não totalmente) a terra que trazem do viveiro.
    E as couves que já estão grandes, como as vou tratar? Desde já o meu agradecimento pela ajuda.

    • telmo

      Boa tarde Armindo,

      Pensamos que essa lavagem não farão mal, também já nos foi sugerido aplicar o óleo de neem directamente nos tabuleiros junto ao pé da planta, uma vez que as moscas gostam de fazer as posturas de ovos na terra húmida, e os tabuleiros são o meio ideal para o fazerem. No entanto é importante referir que o óleo de neem serve para interromper o ciclo reprodutivo da mosca, pelo que o ideal é evitar as posturas, colocando uma malha fina por cima dos tabuleiros por exemplo, depois das larvas estarem na terra já não há muito a fazer pela a própria planta em questão. Em principio agora com as temperaturas a baixar, as larvas vão parar a actividade, mas não morrem, ficam paradas até o tempo voltar a aquecer.

  • Ana

    Olá novamente!

    Já fui procurar, mas por aqui nem o conhecem!
    Poderia dizer-me se há embalagens pequenas, não industriais?

    Entretanto, e na impossibilidade de soltar lá as galinhas (embora pondere amarrar umas 3 por uma perna e prendê-las a umas estacas quando tiver tirado as couves todas), pensei em pôr cal. Se espalhar cal nos buracos das couves que tiro e revolver um bocado a terra para incorporar, será que resulta? A cal, para além de equilibrar o solo, também mata a bicharada que por lá anda, e aqui há vária indesejada. Tem é que vir sol, para ela não se dissolver logo, segundo me disseram hoje na cooperativa agrícola!
    Qual a sua opinião?

    • filipa

      Boa tarde Ana,

      O produto que temos é o ALIGN e comprámos na Campoeste.

      Quanto à cal, não ouvimos nem lemos em nenhum lado que será indicado para combater o bago de arroz. A cal é utilizada como correctivo alcalinizante dos solos (e hoje em dia já nem é muito recomendável porque reage muito rapidamente no solo alterando o pH e acelerando a mineralização da matéria orgânica, levando ao empobrecimento do solo). Lembramos também que a absorção de nutrientes pelas plantas é favorecida em solos ligeiramente ácidos, por isso não nos parece boa prática alcalinizar o solo, principalmente junto das raízes.

      Na nossa opinião não usaríamos cal para combater o bago de arroz, mas poderá haver estudos que apontem noutro sentido e que nós desconhecemos.

  • Ana

    Obrigada Filipa!

    As larvas parecem exactamente isso: bagos de arroz!

    Onde posso comprar óleo de neem? Será que há na cooperativa agrícola? Aplicando o óleo, ainda devo ter cuidados para o ano que vem?

  • Ana Pereira

    Bom dia, Filipa!

    As minhas couves, especialmente a couve-flor, começaram a murchar e a morrer, como se não tivessem água! Inicialmente pensou-se que fosse do excesso de chuva, mas ontem, ao apanhar uma couve Lombarda, vi umas larvas na zona superficial da raíz. Escavei com o dedo junto de poutras couves e lá estavam elas em montinhos agarradas ao tronco. Sabe como as matar? Irão contaminar a terra para culturas futuras? Dizem-me que ás vezes já vêm nas couves quando as compramos e que se mergulharmos as raízes em remédio do escaravelho diluído elas não chegam a afetar a couve, mas parece-me muito agressivo; afinal, algum deste remédio deve ficar na couve!

    Poderia ajudar-me?

    • filipa

      Boa tarde Ana,

      As larvas a que se refere parecem ser o “bago de arroz” (são brancas e pequenas, semelhantes a um bago de arroz mas ligeiramente mais compridas e mais grossas?). Falámos delas neste post. Elas são as larvas de uma mosca que gosta de colocar os ovos enterrados junto às raízes de couves, nabos, rabanetes, rúcula, quando o solo está húmido. As larvas hibernam nos dias frios de inverno, mas é um facto que as temperaturas estão a subir e é possível que estejam a sair da dormência. Como mencionámos no post anterior pode ser aplicado um insecticida regulador de crescimento de origem vegetal (óleo de neem), cuja substância activa é a azadiractina, na concentração indicada no produto directamente sobre o solo junto às raízes. O ideal teria sido evitar a postura dos ovos, por exemplo cobrindo as plantas recém transplantadas com manta térmica ou com rede de malha fina para evitar a aproximação das moscas à raíz. A próxima cultura a instalar neste local não deverá ser couves ou outra das culturas sensíveis a ataque pelo bago de arroz, mas se não o puder evitar sugerimos o revolvimento superficial do solo afetado várias vezes para expor as larvas e deixá-las ser comidas por predadores naturais (melhor ainda se tiver galinhas, pode soltá-las nessa zona e elas farão o revolvimento e a eliminação pelo menos da maior parte das larvas).

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>