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Último post do Casal Hortelão

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Este será o último post do Casal Hortelão. O casal continua, a família continua mas o negócio, a empresa, essa terminou. Não chegámos a publicar muitos posts que achámos interessantes sobre técnicas, ferramentas e experiências, por vezes por falta de tempo outras vezes por falta de motivação para o fazer.

A verdade é que desde que abrimos a empresa em 2011 aprendemos imenso sobre ter um negócio, as coisas boas e as coisas difíceis. E se tivessemos hoje a energia que tinhamos há cinco anos atrás, com a experiência e aprendizagem que temos na bagagem, tenho a certeza de que conseguiríamos dar a volta e pôr o Casal Hortelão de novo a funcionar. Mas para se levar um negócio próprio para a frente a energia é imprescindível e nós atingimos um ponto de “burnout”, a expressão em inglês é a que melhor define o nosso cansaço e exaustão neste momento. Por isso decidimos parar por agora, refazer o plano com calma nos próximos anos, fazer as pazes com o negócio agrícola, cuidar da nossa família que entretanto cresceu, e um dia, quem sabe, começar de novo.

Mas não nos queríamos despedir de todos os que nos seguiram ao longo destes anos, os amigos, os clientes, sem ao menos tirar alguma coisa boa disto tudo. Por isso decidimos compilar neste post os principais erros e as principais lições que tiramos deste projeto, e deixar alguns conselhos a quem está a começar ou a pensar começar um negócio de agricultura biológica em Portugal.

Por nenhuma ordem em particular, os principais erros e dificuldades:

  • A nossa horta estava localizada num terreno alugado, e apesar de não ser algo que impede o negócio a verdade é que acaba por restringir as opções e a liberdade, principalmente se não for possível viver lá. A logística tornou-se complicada e fomos por várias vezes assaltados.
  • Outra dificuldade que tivemos e que tentámos ignorar foi estarmos os dois em part-time ou apenas um de nós a tempo inteiro dedicados ao negócio.
  • Achámos conseguir fazer tudo sozinhos – fizemos tudo sozinhos, os dois: site de raíz, cartões de visita, instalação da rega, mercados, preparação de cabazes, entregas, sementeiras, plantações, limpeza de ervas, colocação de plásticos, estacas, registos, regas, reparações, telefonemas e emails, fornecedores…
  • Demos alguns passos maiores que as pernas – estar em dois mercados e fazer entregas 3 dias por semana tirou-nos horas de trabalho na horta, horas de vida em família e energia, e sem render tanto como seria de esperar.
  • O termos aberto atividade como empresa foi sem dúvida um erro – queríamos fazer tudo certinho e partilhar o projeto entre os dois, mas para começar, sem experiência e sem muitos recursos financeiros deveríamos ter aberto atividade como agricultores até conseguirmos ter um rendimento estável e que justificasse as elevadas despesas de uma empresa.
  • Começar a distribuir produtos de outros produtores, em pequena escala não compensa. As margens são muito baixas e quando se encomendam pequenas quantidades os fornecedores não entregam, por isso perdemos muitas horas e tivemos muitos custos com combustível a ir de fornecedor em fornecedor. Além disso assistimos ao fenómeno de perda de clientes que deixaram de nos comprar porque se identificavam com o projeto “Casal Hortelão”, que não fazia sentido enquanto mero distribuidor.
  • Estivemos cinco anos a dizer que precisavamos de equipamentos e infraestruturas adequadas à nossa escala e às nossas tarefas diárias. Se é verdade que se calhar um trator não era imprescindível, também não fazia sentido prepararmos 20 camalhões com uma moto-enxada ao longo de uma semana – para além de muito mais demorado, o esforço físico era enorme e a eficiência muito reduzida. Teria valido a pena investir numa moto-cultivadora ou então num mini-trator logo de início com alfaias adequadas. Nunca construimos um armazém, uma zona de lavagem ou para as sementeiras, tudo infra-estruturas que nos teriam facilitado muito a vida e aumentado exponencialmente a eficiência e o rendimento das horas de trabalho.

As lições que tirámos foram muitas, e se pudessemos voltar ao passado e dar alguns conselhos àqueles dois jovens cheios de vontade de ser agricultores e mudar o mundo diríamos:

  1. Não tenham pressa em abrir uma empresa. Os custos são enormes: o contabilista técnico oficial de contas, os impostos, os pagamentos especiais por conta. E se forem empregados da empresa ainda há os salários e os custos com a Segurança Social… se não fizerem determinados mínimos por mês vão-se ver rapidamente aflitos para pagar as contas.
  2. Façam um plano de negócios completo e sólido. E quando chegarem à parte difícil das contas peçam ajuda! É mesmo importante saber de onde vem o dinheiro, para onde ele vai, quando vão atingir o break even. É também uma carta na manga quando e se precisarem de pedir financiamento a um banco ou apoios para o vosso projeto.
  3. Definam bem o que querem do vosso projeto. Definir bem o nicho (quem são os vossos clientes) e dediquem-se a eles. Se a escala é pequena, mantenham-se pequenos mas tornem-se nos melhores, produzam vegetais de alta qualidade, é isso que vos vai dar nome e respeito. Se acharem melhor especializarem-se, façam-no e sejam os melhores.
  4. Mantenham-se fiéis aos vossos valores e princípios. Se forem bons, consistentes, transparentes e não se deixarem distrair por pressões externas sobre como produzir ou como vender, serão melhores no que fazem e a longo prazo mais sustentável será o vosso negócio.
  5. Invistam sabiamente e a pensar no longo prazo. Mais uma vez, invistam em tudo o que traga eficiência e acrescente valor ao negócio. Se um mini-trator com as alfaias certas permitir preparar um bloco numa hora em vez de um dia à mão isso traduz-se em mais energia e mais horas disponíveis para outros trabalhos na horta ou para estudar ou melhorar sistemas. Uma caixa para sementeiras semi-automática; uma zona de lavagem e preparação dos vegetais; um armazém para guardar alfaias, ferramentas e fatores de produção a salvo de ladrões e ratos; uma mini câmara de frio para guardar as colheitas da véspera do mercado, ou produtos como courgette que tem de se apanhar todos os dias mesmo que não se vendam logo; são tudo investimentos que podem parecer elevados mas que a longo prazo melhoram a eficiência, o rendimento, a energia do agricultor.
  6. Peçam ajuda! Duas pessoas para cuidar de meio hectare pode ser o suficiente se ambos trabalharem o dia inteiro em full-time mas e as restantes facetas do negócio? Se o que gostam é de ter as mãos na terra não queiram ser contabilistas, vendedores, angariadores de clientes, web designers, fotógrafos, criadores de receitas, costureiros, serralheiros, motoristas/distribuidores, gestores. Não quer dizer que não possam meter a mão numa ou mais destas atividades pontualmente mas para serem bons a produzir têm de se dedicar à produção. Por isso não se distraiam da produção e peçam ajuda a quem é especialista em determinadas áreas. Contratem alguém para trabalhar na horta se for necessário e aceitem trabalho voluntário permanente/prolongado – toda a ajuda é pouca e a verdade é que as pessoas gostam de o fazer.
  7. Dito isto, pedir ajuda aos amigos é ótimo mas sempre que possível mantenham a contratação de trabalhos vitais para o negócio fora das amizades. Deixem que os amigos ajudem com tarefas e trabalhos assessórios mas que são sempre uma boa desculpa para reuniões animadas, como montar um barracão ou uma mini-estufa, pinturas, etc.
  8. E finalmente não guardem para vocês a vossa experiência, seja ela boa ou má porque vão certamente ajudar muitos que tentam trilhar os mesmos caminhos. Desde o início que apostámos na divulgação e isso terá sido talvez a coisa mais positiva da forma como gerimos o nosso projeto. Quando começámos todos pareciam esconder para si o segredo do negócio e tivemos imensa dificuldade em encontra informação, por isso definimos logo que iriamos partilhar tudo com quem encontrasse o nosso site ou o nosso blogue, ou os nossos clientes. Pedimos que façam o mesmo – divulguem este post, divulguem as vossas experiências com a agricultura, as dificuldades e as coisas boas.

Obrigada por estarem connosco nestes últimos anos!

Crowdfunding

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Está neste momento a decorrer uma campanha de Crowdfunding criada por nós para podermos adquirir um mini-trator (http://ppl.com.pt/pt/prj/casal-hortelao).

Ao fim de quatro anos a contar apenas com uma moto-enxada para preparar o solo, que para além de ser fisicamente duro, nunca deixa o solo com as condições ideais para as plantações e transplantações que fazemos. Um mini-trator vai revolucionar o nosso calendário, uma vez que vai ser simples e rápido preparar as camas elevadas para onde vão as plantas assim que estejam prontas, sem perderem o seu ritmo de crescimento ideal.

Resolvemos assim recorrer ao financiamento directo pelo nossos familiares, amigos, clientes e seguidores, pedindo pequenas contribuições para atingirmos o objetivo de juntar o suficiente para o mini-trator e com isso dar um salto de gigante na nossa produção.

A todos os que nos puderem apoiar. MUITO OBRIGADO!!!!

Podem ver aqui o pequeno filme que fizemos para a campanha

Ferramentas novas!

Ao longo dos anos temos vindo a aprender que trabalhar com as ferramentas certas faz toda a diferença, não apenas no que diz respeito ao esforço e à eficiência do trabalho mas também na forma como o solo fica depois de o trabalharmos. Começámos com o básico – a enxada – e usámo-la para tudo. Abrir regos, amontoar, limpar ervas, montar camalhões… Rapidamente percebemos que o esforço era demasiado e o trabalho não ficava bem feito. Com um pouco de pesquisa online descobrimos uma ferramenta “mágica” que é jà utilizada nos EUA e no Canadá em pequenas quintas familiares, de pequena escala altamente produtivas, como nós queremos ser um dia – a broadfork. Agora até nos parece algo comum mas para nós foi uma descoberta que ajudou a mudar um pouco a forma como preparamos o solo e até como organizamos a nossa horta em blocos. Esta ferramenta não é mais que uma forquilha cavadora de dois braços e com a largura ajustada à dos nossos camalhões. É muito robusta e perfeita para o nosso solo pesado. O que ela nos permite fazer é arejar a 30cm os camalhões com uma única passagem, permitindo melhorar a drenagem e facilitar o trabalho da motoenxada que vem a seguir incorporar o composto. E outra vantagem é não forçarmos as costas porque trabalhamos direitos – trabalhamos isso sim os braços e as pernas. Win-win!

Broadfork

Podem ver a broadfork em ação na nossa estufa neste pequeno video:

Outra ferramenta que adotàmos foi uma espécie de marcador/plantador de alho francês. Basicamente usamo-la para fazer furos equidistantes e com a profundidade de 20cm. Depois é só enfiar as plantas e deixà-las enraizar, já com uma boa profundidade para branqueamento. Só amontoamos mais tarde, durante a monda das ervas daninhas. Funciona bem em solo húmido porque em solo seco os torrões caem para o interior dos buracos dificultando a entrada da planta.

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Tanto esta ferramenta como a broadfork tivemos de mandar fazer num serralheiro local, que amavelmente seguiu os nossos desenhos e fez os ajustes necessários para aumentar a resistência e peso. Infelizmente não encontrámos cá à venda e encomendar dos EUA ou Canadá era incomportável.

Finalmente, esta ultima ferramenta é genial na sua simplicidade – uma lâmina para limpar ervas daninhas ainda pouco desenvolvidas entre culturas como alfaces, espinafres, etc. Infelizmente não há com várias  larguras à escolha e acabamos por ajustar o espaçamento de plantação para estas culturas de forma a podermos passar a ferramenta entre elas. Mais uma vez o solo tem de estar em condições particulares para o fazermos (muito molhado e a lâmina fica cheia de terra colada, muito seca e a lâmina não entra os 3-5cm necessários para cortar as raízes das ervas).

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Ano internacional do Solo

Este ano as Nações Unidas celebram o Ano internacional do Solo, para chamar a atenção para a importância que têm os solos e da urgência de os proteger das graves agressões que têm sofrido nas últimas décadas.

Vamos aproveitar o mote para nos dedicarmos um pouco a este assunto, estudar melhor o solo que temos, compreender o estado em que se encontra actualmente (uma vez que já não fazemos análises há algum tempo), e como o podemos melhorar correctamente (em termos de fertilidade e estrutura). O solo é o motor da Agricultura Biológica, e um bom solo produz culturas com maior rendimento, mais saudáveis, mais resistentes a pragas e doenças e com o ritmo de desenvolvimento certo. Na nossa busca por mais informação encontramos este livro que agora andamos a estudar “Building soils for better crops” (http://www.sare.org/Learning-Center/Books/Building-Soils-for-Better-Crops-3rd-Edition), quando terminarmos falamos mais sobre ele.

Deixamos aqui um documentário, que nos inspirou já no inicio deste ano, sobre a temática do solo e das sementes “Soluções locais para uma desordem global”.

Cenouras de todas as cores

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Este ano decidimos experimentar com diferentes variedades de cenoura menos conhecidas por cá, Rodelinka (laranja), Gniff (roxa por fora e branca por dentro), e por fim a Amarela longa. Foram plantadas já um pouco tarde na época, o que nos atrasou um pouco os planos, já as devíamos estar a colher mas ainda estão pequenas. Utilizámos uma técnica de espaçamento intensivo de modo a criar uma cúpula natural com a rama, que por um lado mantém a humidade no solo, e por outro cria um sombreamento que não deixa desenvolver as ervas indesejadas.

Numa altura em que nos sentimos um pouco desligados do que nos fez dedicar os nossos dias à agricultura, sabe bem voltar a ver uma novidade a surgir na nossa horta :)

Cebola

cebola

[fotos de 28-05-2014]

Antes de plantarmos as cebolas damos-lhes sempre um jeitinho para irem para a terra em melhores condições de se adaptarem – isso inclui aparar as raízes e as pontas das folhas. Desta forma a energia para se “agarrarem” à terra não se desperdiça e as plantas tornar-se-ão mais robustas e resistentes. Idealmente deixamos as raízes secarem um bocado depois do corte e só as plantamos no dia seguinte. Depois damos uma boa rega. Este ano experimentámos um novo método que consiste em plantar as cebolas em grupos de três, o que permite optimizar o uso do espaço – depois dizemos como correu. Com camalhões de 15m de comprimento com três linhas, espaçadas entre si ±20cm, estes agrupamentos de três cebolas permitem plantar mais de 600 plantas por camalhão.

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Telas, redes e mantas

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Este ano decidimos apostar em barreiras físicas para protecção das culturas – não só protecção contra pragas, mas também contra ervas e contra condições climatéricas menos favoráveis. Ao longo de três anos de actividade, com muita experimentação pelo caminho, chegámos à conclusão que alguma da produtividade perdida na nossa horta se devia por um lado a perdas por ataque de pragas, e por outro ao tempo perdido com limpeza de ervas daninhas que assim não era canalizado para a produção e manutenção apropriada das culturas. Agora óbvias para nós, as barreiras físicas serão uma forma eficaz de resolver estas duas questões, e ainda a questão das baixas temperaturas que as últimas primaveras têm trazido e que dificultam o desenvolvimento das culturas que gostam do calor.

Sempre que a temperatura sobe na primavera, as nossas couves são fortemente atacadas pela larva da mosca da couve (o “bago-de-arroz”) que destrói as raízes levando à morte das plantas. Também por este motivo desistimos de fazer nabo (outra brassica)  durante o verão. Assim, este ano apostámos em duas medidas de combate: por um lado cobrimos os camalhões com filme plástico preto (que simultaneamente evita o crescimento de ervas e dificulta a postura dos ovos  no solo húmido junto do pé da planta), e rede mosquiteira. A rede deverá manter longe não só a mosca da couve como as borboletas brancas que depois dão origem às lagartas da couve, e a áltica. No caso da áltica contudo, estamos a aguardar para ver o resultado uma vez que só conseguimos encontrar rede com uma malha de 1.5mm e a áltica tem tamanhos que varia dos 1.5mm a 3mm, sendo que os juvenis ainda poderão passar neste crivo.

O filme plástico preto estamos a colocar na maioria das culturas que têm um ciclo de vida relativamente longo e/ou que permitem colheitas sucessivas nas mesmas plantas – couves, tomateiros, beringelas, pimentos, melão, morangueiros. A rega nestas culturas é feita por fita de gota, que fica sob o filme.

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No caso das courgettes, e também dos tomateiros, beringelas e pimentos – culturas que querem calor – optámos por manta térmica imediatamente a seguir à transplantação. As courgettes são regadas por gota e ficaram cobertas até ao aparecimento das primeiras flores, altura em que as destapámos para permitir a polinização. Resultou muito bem e elas estão bonitas e produtivas – já estamos a colher belos exemplares destas plantas que são tão generosas!

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As alfaces, assim que foram para a terra, começaram a ser debicadas e tivemos de as cobrir com rede anti-pássaros para as proteger das perdizes que abundam nesta zona. Até ver está a resultar e as plantas estão a começar a recuperar. Também iremos colocar esta rede sobre os morangueiros quando começarem a produzir para as proteger dos melros. Esta é uma rede bastante flexível (conseguimos esticá-la até 4m metros e tapar em simultâneo 3-4 camalhões) mas tivemos de usar arcos de arame grosso (5mm)*  para a suster, e pedras para a segurar junto ao solo.

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*este arame compramos ao quilo numa loja de ferragens e fazemos arcos com 1m – esta espessura é suficiente para suportar as mantas térmicas ou as redes e dá-lhes resistência suficiente para serem espetadas na terra e manterem a forma.

Finalmente, a tela de chão tecida (ou geotêxtil). A nossa horta está dividida em vários blocos, segundo o grupo das culturas (solanáceas, brassicas, cucurbitaceas, quenopodiáceas, asteraceas, aliáceas, etc) e que iremos rodar entre si para garantir a rotatividade – falaremos mais em pormenor sobre as alterações que fizemos este ano num outro post. A questão é que nunca semeamos ou plantamos cada bloco de uma só vez. Assim, à medida que vamos preparando os camalhões, cobrimos os que não vamos plantar nas próximas semanas com a tela para conseguirmos três coisas: 1) evitar o crescimento das ervas daninhas (numa espécie de falsa sementeira às escuras, em que as ervas daninhas emergem com o calor, escuridão e humidade que se fazem sentir debaixo da tela para logo depois morrerem devido à ausência prolongada de luz); 2) matar as ervas daninhas já existentes pelo mesmo efeito referido atrás (a ausência de luz); e 3) ajudar a manter a humidade no solo para ser mais fácil de trabalhar quando se destapa.

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No final da época faremos o balanço destas medidas, mas até ver está a resultar – menos ervas e plantas bonitas e produtivas (neste momento ainda só temos o resultados das courgettes, mas a diferença para o ano passado é notória, com já mais de 10kg apanhados numa semana!).

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A todo o vapor!!!

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Estas últimas semanas temos andado muito atarefados a preparar o solo, transplantar, semear e preparar rega.

Pelo segundo ano consecutivo, o inverno rigoroso juntamente com as características do nosso solo impediram-nos de começar as nossas plantações na data que tínhamos planeado, no inicio de Março. É verdade que era um calendário demasiado optimista, mas achámos por bem planear com a melhor das hipóteses em mente, um inverno curto e uma primavera amena, e adaptarmos o calendário no caso de isso não acontecer. Infelizmente o inverno acabou por ser mais longo e chuvoso, e só no inicio de Maio é que conseguimos começar a trabalhar o solo.

O resultado é que andamos numa azáfama por estarmos com dois meses de atraso, temos muitas sementeiras prontas para irem para rua, outras até já passaram do prazo e foram para a pilha de composto. Têm sido umas semanas de trabalho duro, 12h por dia, mas estamos radiantes a ver a nossa horta a ganhar forma mais uma vez, e a vermos os nossos vegetais a crescer, e em contagem decrescente para voltar ao nosso lugar no mercado.

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apoios para os tomateiros

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A nossa busca por suportes de culturas continua. Como pudemos experimentar no ano passado, maus suportes têm um impacto muito significativo na produtividade de certas culturas, já para não falar que dificultam em muito o momento da colheita. Temos tido problemas com pepinos, com tomateiros e ervilhas, tudo culturas que gostam de trepar, e cujos suportes que temos feito não têm aguentado o peso das próprias culturas que deviam suportar.

Esta época optámos por um “upgrade” na estufa, e fixámos na própria estrutura os apoios de onde vão cair guias para que os tomateiros trepem e fiquem perfeitamente na vertical. No exterior vamos fazer algo do género, mas que seja amovível, para podermos desmontar no final da época, e montar novamente para o ano num local diferente.

Viveiros com certificado Bio

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Viveiros de plantas com certificação biológica ainda são uma raridade por cá. Felizmente o ano passado abriu um relativamente próximo de nós, em mafra, a Biobrotar. Existem vantagens e desvantagens de trabalhar com viveiros, que consoante os objetivos que se tenham para cada cultura podem ser relevantes ou não.

Por um lado em termos de escolha, estamos limitados às variedades que estiverem disponíveis, culturas que tenham uma sequência de plantação muito curta, de uma semana ou duas, não é prático se considerarmos o numero de viagens que se têm de fazer, e ainda consoante o volume das encomendas o custo também se pode tornar um fator importante. Por outro lado as vantagens que se tiram são muito importantes, a segurança de ser ter tabuleiros com uma germinação perto dos 100%, plantas saudáveis e bem desenvolvidas no momento certo para serem transplantadas, poupa-se no espaço necessário para ter tabuleiros a germinar, e também nas instalações para garantir boas germinações.

Este ano, em algumas culturas que têm germinações mais demoradas, ou que não vamos ter muitas sucessões de plantação, como couves e alho francês, vamos optar por trabalhar em conjunto com o viveiro. São culturas que queremos garantir que estão em perfeitas condições na altura de irem para a terra, e que não podem falhar.