Fotos e Histórias

Arquivo

  • 2016 (1)
  • 2015 (4)
  • 2014 (8)
  • 2013 (12)
  • 2012 (22)
  • 2011 (35)
  • 2010 (10)
  • 2009 (1)

Cebola

cebola

[fotos de 28-05-2014]

Antes de plantarmos as cebolas damos-lhes sempre um jeitinho para irem para a terra em melhores condições de se adaptarem – isso inclui aparar as raízes e as pontas das folhas. Desta forma a energia para se “agarrarem” à terra não se desperdiça e as plantas tornar-se-ão mais robustas e resistentes. Idealmente deixamos as raízes secarem um bocado depois do corte e só as plantamos no dia seguinte. Depois damos uma boa rega. Este ano experimentámos um novo método que consiste em plantar as cebolas em grupos de três, o que permite optimizar o uso do espaço – depois dizemos como correu. Com camalhões de 15m de comprimento com três linhas, espaçadas entre si ±20cm, estes agrupamentos de três cebolas permitem plantar mais de 600 plantas por camalhão.

preparar_cebola_4

Telas, redes e mantas

IMG1714

Este ano decidimos apostar em barreiras físicas para protecção das culturas – não só protecção contra pragas, mas também contra ervas e contra condições climatéricas menos favoráveis. Ao longo de três anos de actividade, com muita experimentação pelo caminho, chegámos à conclusão que alguma da produtividade perdida na nossa horta se devia por um lado a perdas por ataque de pragas, e por outro ao tempo perdido com limpeza de ervas daninhas que assim não era canalizado para a produção e manutenção apropriada das culturas. Agora óbvias para nós, as barreiras físicas serão uma forma eficaz de resolver estas duas questões, e ainda a questão das baixas temperaturas que as últimas primaveras têm trazido e que dificultam o desenvolvimento das culturas que gostam do calor.

Sempre que a temperatura sobe na primavera, as nossas couves são fortemente atacadas pela larva da mosca da couve (o “bago-de-arroz”) que destrói as raízes levando à morte das plantas. Também por este motivo desistimos de fazer nabo (outra brassica)  durante o verão. Assim, este ano apostámos em duas medidas de combate: por um lado cobrimos os camalhões com filme plástico preto (que simultaneamente evita o crescimento de ervas e dificulta a postura dos ovos  no solo húmido junto do pé da planta), e rede mosquiteira. A rede deverá manter longe não só a mosca da couve como as borboletas brancas que depois dão origem às lagartas da couve, e a áltica. No caso da áltica contudo, estamos a aguardar para ver o resultado uma vez que só conseguimos encontrar rede com uma malha de 1.5mm e a áltica tem tamanhos que varia dos 1.5mm a 3mm, sendo que os juvenis ainda poderão passar neste crivo.

O filme plástico preto estamos a colocar na maioria das culturas que têm um ciclo de vida relativamente longo e/ou que permitem colheitas sucessivas nas mesmas plantas – couves, tomateiros, beringelas, pimentos, melão, morangueiros. A rega nestas culturas é feita por fita de gota, que fica sob o filme.

mantas_e_redes

No caso das courgettes, e também dos tomateiros, beringelas e pimentos – culturas que querem calor – optámos por manta térmica imediatamente a seguir à transplantação. As courgettes são regadas por gota e ficaram cobertas até ao aparecimento das primeiras flores, altura em que as destapámos para permitir a polinização. Resultou muito bem e elas estão bonitas e produtivas – já estamos a colher belos exemplares destas plantas que são tão generosas!

mantas_e_redes-5

As alfaces, assim que foram para a terra, começaram a ser debicadas e tivemos de as cobrir com rede anti-pássaros para as proteger das perdizes que abundam nesta zona. Até ver está a resultar e as plantas estão a começar a recuperar. Também iremos colocar esta rede sobre os morangueiros quando começarem a produzir para as proteger dos melros. Esta é uma rede bastante flexível (conseguimos esticá-la até 4m metros e tapar em simultâneo 3-4 camalhões) mas tivemos de usar arcos de arame grosso (5mm)*  para a suster, e pedras para a segurar junto ao solo.

mantas_e_redes-6

*este arame compramos ao quilo numa loja de ferragens e fazemos arcos com 1m – esta espessura é suficiente para suportar as mantas térmicas ou as redes e dá-lhes resistência suficiente para serem espetadas na terra e manterem a forma.

Finalmente, a tela de chão tecida (ou geotêxtil). A nossa horta está dividida em vários blocos, segundo o grupo das culturas (solanáceas, brassicas, cucurbitaceas, quenopodiáceas, asteraceas, aliáceas, etc) e que iremos rodar entre si para garantir a rotatividade – falaremos mais em pormenor sobre as alterações que fizemos este ano num outro post. A questão é que nunca semeamos ou plantamos cada bloco de uma só vez. Assim, à medida que vamos preparando os camalhões, cobrimos os que não vamos plantar nas próximas semanas com a tela para conseguirmos três coisas: 1) evitar o crescimento das ervas daninhas (numa espécie de falsa sementeira às escuras, em que as ervas daninhas emergem com o calor, escuridão e humidade que se fazem sentir debaixo da tela para logo depois morrerem devido à ausência prolongada de luz); 2) matar as ervas daninhas já existentes pelo mesmo efeito referido atrás (a ausência de luz); e 3) ajudar a manter a humidade no solo para ser mais fácil de trabalhar quando se destapa.

mantas_e_redes-2

mantas_e_redes-4

No final da época faremos o balanço destas medidas, mas até ver está a resultar – menos ervas e plantas bonitas e produtivas (neste momento ainda só temos o resultados das courgettes, mas a diferença para o ano passado é notória, com já mais de 10kg apanhados numa semana!).

     IMG_20140601_094725  IMG1709

A todo o vapor!!!

IMG_20140512_113646

Estas últimas semanas temos andado muito atarefados a preparar o solo, transplantar, semear e preparar rega.

Pelo segundo ano consecutivo, o inverno rigoroso juntamente com as características do nosso solo impediram-nos de começar as nossas plantações na data que tínhamos planeado, no inicio de Março. É verdade que era um calendário demasiado optimista, mas achámos por bem planear com a melhor das hipóteses em mente, um inverno curto e uma primavera amena, e adaptarmos o calendário no caso de isso não acontecer. Infelizmente o inverno acabou por ser mais longo e chuvoso, e só no inicio de Maio é que conseguimos começar a trabalhar o solo.

O resultado é que andamos numa azáfama por estarmos com dois meses de atraso, temos muitas sementeiras prontas para irem para rua, outras até já passaram do prazo e foram para a pilha de composto. Têm sido umas semanas de trabalho duro, 12h por dia, mas estamos radiantes a ver a nossa horta a ganhar forma mais uma vez, e a vermos os nossos vegetais a crescer, e em contagem decrescente para voltar ao nosso lugar no mercado.

IMG_20140513_184336 IMG_20140513_184307 IMG_20140513_184240

apoios para os tomateiros

IMG_20140325_145202

A nossa busca por suportes de culturas continua. Como pudemos experimentar no ano passado, maus suportes têm um impacto muito significativo na produtividade de certas culturas, já para não falar que dificultam em muito o momento da colheita. Temos tido problemas com pepinos, com tomateiros e ervilhas, tudo culturas que gostam de trepar, e cujos suportes que temos feito não têm aguentado o peso das próprias culturas que deviam suportar.

Esta época optámos por um “upgrade” na estufa, e fixámos na própria estrutura os apoios de onde vão cair guias para que os tomateiros trepem e fiquem perfeitamente na vertical. No exterior vamos fazer algo do género, mas que seja amovível, para podermos desmontar no final da época, e montar novamente para o ano num local diferente.

Viveiros com certificado Bio

IMG_20140327_203654

Viveiros de plantas com certificação biológica ainda são uma raridade por cá. Felizmente o ano passado abriu um relativamente próximo de nós, em mafra, a Biobrotar. Existem vantagens e desvantagens de trabalhar com viveiros, que consoante os objetivos que se tenham para cada cultura podem ser relevantes ou não.

Por um lado em termos de escolha, estamos limitados às variedades que estiverem disponíveis, culturas que tenham uma sequência de plantação muito curta, de uma semana ou duas, não é prático se considerarmos o numero de viagens que se têm de fazer, e ainda consoante o volume das encomendas o custo também se pode tornar um fator importante. Por outro lado as vantagens que se tiram são muito importantes, a segurança de ser ter tabuleiros com uma germinação perto dos 100%, plantas saudáveis e bem desenvolvidas no momento certo para serem transplantadas, poupa-se no espaço necessário para ter tabuleiros a germinar, e também nas instalações para garantir boas germinações.

Este ano, em algumas culturas que têm germinações mais demoradas, ou que não vamos ter muitas sucessões de plantação, como couves e alho francês, vamos optar por trabalhar em conjunto com o viveiro. São culturas que queremos garantir que estão em perfeitas condições na altura de irem para a terra, e que não podem falhar.

dentro da estufa já se trabalha…

IMG_20140204_161547

O inverno não está a facilitar mesmo, muita chuva e vento forte por todo o lado. No entanto este ano já estamos a meter a estufa a mexer, vamos aproveitar para iniciar algumas culturas que gostam de tempo mais fresco.

Apesar das temperaturas baixas que se sentem na rua, dentro da estufa durante o dia tem estado uma média de 15º a 20º, uma verdadeira primavera.

Já começámos algumas culturas em tabuleiros, e umas linhas de sementeiras diretas de ervilha, feijão verde pequeno e rabanetes. Vamos ver se em Abril já temos culturas que se vejam!

culturas resistentes

IMG_20140120_234912

Após cerca de três meses de ausência da horta, escusado será de dizer que as ervas cresceram à vontade, estão grandes e por todo o lado, parece uma selva em miniatura. É uma visão que nos deixa um pouco desanimados, quando comparamos com as imagens da nossa horta de verão, tão organizada e produtiva.

Mas quando olhamos mais de perto, vemos que esta mistura de verdes e castanhos, esconde os seus segredos. Algumas culturas, que não chegaram a ser colhidas por não estarem prontas no inicio de Outubro, resistiram até agora, apesar de não terem sido cuidadas, de terem que competir com um mar de ervas daninhas, e ataques de lagartas, caracóis e lesmas. Agora em Janeiro, voltámos a comer vegetais da nossa horta, fazemos sopas de alho francês com funcho e aipo de raiz, couves de bruxelas salteadas, espargados de acelgas e uns chucrutes de couve roxa.

Na fase em que estamos, comermos vegetais nossos, que continuam a ser os melhores que já provámos, dá uma motivação extra.

recomeço

20131210-IMG_20131210_150038

Este ano estamos a sentir que está tudo a começar de novo, a longa paragem forçada fez com que tivéssemos muito tempo para reflectir e avaliar todo o que já fizemos, e depois de tanto tempo sentimos que estamos a começar tudo de novo.

À semelhança da horta, que se encontra em estado selvagem, também os nossos planos para este ano estão a passar por uma profunda revisão, de acordo com o projecto inicial este devia ser o ano em que a produção e comercialização deveriam estar consolidadas, e já poderíamos começar a pensar noutros voos, mas em vez disso estamos de volta aos lápis e aos papeis a tentar planear de modo a que não seja necessário voltar a interromper a produção.

Mas como dizem, ano novo vida nova, e estamos cheios de esperança que com as alterações que planeamos, a produção arranque em força, para não mais parar!!!

Feliz 2014 :)