Fotos e Histórias

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Outono na horta e pausa para o inverno

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Até para fazer uma pausa é preciso preparar a horta. Este ano a nossa época ativa foi curta mas o verão foi bom – apesar do começo tardio depois das chuvas que se prolongaram até abril lá conseguimos voltar ao mercado e colher o que de melhor a horta nos deu. Soube a pouco! Este ano decidimos parar voluntariamente no inverno e vamos regressar para o ano, se o inverno for ameno e assim o permitir, com sementeiras de primavera-verão logo a partir de fevereiro. Até lá temos muito que planear, muitas contas a fazer, alguns investimentos para melhorar a rentabilidade do nosso pequeno pedaço de terra.

Mas antes de parar estamos a preparar a horta. A estufa está finalmente arranjada e esperamos que aguente os ventos habituais dos meses que aí vêm. Retirámos a rede que estava a vedar algumas zonas por causa dos coelhos, retirámos a rega para não desaparecer no meio das ervas e para deixar o solo pronto para quando o trator puder entrar na horta; apanharam-se as abóboras todas, o Benjamim foi guardado dentro da estufa. Falta apanhar duas linhas de batata doce e arranjar e transplantar os morangueiros que entretanto já se reproduziram. Se não chover entretanto, o trator ainda vai triturar restos de culturas e ervas que ficarão a decompor sobre o solo.

Ainda é possível encontrar alguns vegetais a espreitar por entre as ervas, alguns tomates resistentes nas plantas já velhas, alguma acelga e espinafres que gostaram das últimas chuvadas que cairam ainda há dias, mas tirando o que vamos trazendo para casa podemos dizer que estamos fechados para… descanso.

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regresso ao mercado

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No inicio de Agosto voltámos ao nosso lugar no mercado biológico de cascais. Foi um bom regresso, voltámos a rever clientes e colegas, e foi bom sentir que as pessoas ficaram contentes por voltarmos.

Os dias de mercado são os mais cansativos, implica apanhar tudo na vespéra, deixar tudo pronto, levantar cedo, carregar e descarregar duas vezes a carrinha, montar e desmontar a banca e toda a parafernália que nos acompanha, mas sem dúvida que é um dos momentos mais recompensadores da nossa actividade. Ficamos a saber mais sobre os nossos clientes, conhecemos pessoalmente quem consome os nossos produtos, e entre conversas acabamos sempre por partilhar histórias do dia-a-dia.

Não temos dúvidas nenhumas, que os clientes que nos apoiam desde o ínicio, também fazem parte da nossa história.

Vida selvagem

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A nossa horta tem muitas coisas boas, que o digam os inúmeros animais que escolheram fazer por lá a sua casa. Temos coelhos que correm por todo o lado a esconderem-se assim que abrimos o portão. Perdizes que passeiam alegremente com os seus perdigotos em “fila indiana” quando não percebem que estamos por lá a ver. Ratos pequeninos do campo, que são uma verdadeira desgraça para as nossas culturas de raizes. Cobras que temos esperança serem rateiras, mas que claramente não chegam para manter os ratos controlados. Passarinhos que se deliciam a voar dentro da estufa a apanhar borboletas. Um exército bem treinado de joaninhas que é de uma eficácia esmagadora na luta contra os afideos. Temos osgas, lagartos e lagartixas, aranhas, vespas, abelhas, abelhões e ainda muitas minhocas que indicam que o solo está a ficar mais saudável.

Em suma, na nossa horta reina a biodiversidade. É verdade que nem sempre nos ajuda, e a maior parte das vezes até causa prejuízos consideráveis, que vamos tentar ir controlando ao poucos, melhorando o equilibrio entre as espécies. Mas não temos dúvidas que o modo de produção biológico é fundamental para manter todo este ecosistema que vive à nossa volta.

colaborar com outros produtores

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Últimamente temos vindo a optar por colaborar com outro produtor, a quem temos entregue os nossos produtos para que ele os leve para o mercado. Inicialmente este meio de distribuição era algo que não tínhamos planeado, mas tivemos que nos adaptar devido ao ano pouco produtivo e altamente invulgar que está a ser. O facto de que temos a produção muito atrasada, e em fases diferentes de desenvolvimento, fez com que tivéssemos alguns produtos prontos muito mais cedo que outros.

Até ver estamos agradados com esta nova maneira de escoar os nossos vegetais, planeamos voltar ao nosso mercado assim que possível, mas enquanto temos pouca variedade é uma maneira muito prática de levar os nossos produtos até ao consumidor final. É claro que temos que partilhar uma parte do lucro da venda, uma vez que o trabalho não é só nosso, mas é mais uma opção que temos até para aceder a mercados que não são os nossos.

Polinização cruzada – Cucurbitaceas

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Abóboras, courgettes, melão, pepinos – são todas culturas da família das Cucurbitaceas. Estas plantas estão dependentes da polinização feita por abelhas para produzirem frutos viáveis, e visto que pertencem à mesma família é natural surgirem algumas dúvidas sobre a possibilidade de se cruzarem entre si. O ano passado plantámos estas variedades lado a lado, apenas uma linha de cada e se para as courgettes correu bem e elas produziram bastante, com as Musquée de Provence e as cabaça a produção foi muito baixa. Isso levou-nos a estudar um pouco mais estas culturas e a forma como elas se reproduzem.

Geralmente as Cucurbitaceas produzem flores masculinas e flores femininas em locais diferentes da mesma planta, sendo que as flores masculinas estão encarregues de produzir o pólen e as femininas produzem os frutos. A excepção são os melões cantaloupe que também produzimos o ano passado e que têm quase exclusivamente flores masculinas e algumas flores hermafroditas que não se podem auto-polinizar, tornando a polinização ainda mais complicada.

A proporção de flores masculinas para flores femininas é geralmente de 10:1, sendo muito superior em algumas variedades, e estas surgem cerca de 10 dias antes das flores femininas. As flores, tanto as masculinas como as femininas só costumam abrir por um dia e depois caem. As flores femininas que não forem polinizadas também caem, mas as que foram polinizadas e começarem a produzir frutos podem coexistir com outras flores femininas da mesma planta, permitindo polinizações simultâneas.

Quem não quiser estar dependente das abelhas pode facilitar a polinização com um cotonete, retirando o pólen das flores masculinas e passando-o para as flores femininas que estejam abertas nessa altura – apesar de trabalhoso assegura maiores produtividades e é uma experiência que vamos fazer este ano. Outra coisa que também já fizemos diferente foi colocar as plantas em blocos (formando quadrados ou rectângulos) da mesma variedade em vez de uma única longa linha, para facilitar o trabalho das abelhas.

Para que não haja dúvidas, a polinização cruzada só vai ocorrer entre cultivares do mesmo grupo (que no nosso caso foram/são):

Grupo Cucurbita pepo – courgettes e abóbora patisson
Grupo Cucurbita moschata – abóbora Musquée de Provence, abóbora cabaça
Grupo Cucumis sativus – pepino
Grupo Cucumis melo – melão cantaloupe

Este ano optámos por fazer um bloco com cerca de 120 abóboras Musquée de Provence, outro de courgette, mais um de pepinos e um outro de melão (não vamos produzir patissons nem cabaças para evitar cruzamentos).

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Actualização a 02-08-2013: deixamos aqui um exemplo de cruzamento que ocorreu nas nossas plantas no ano passado e que já é visível em alguns dos frutos deste ano – chamamos-lhes “patigettes”, um cruzamento que ocorreu dentro do Grupo Cucurbita pepo entre as courgettes e as patisson brancas. As sementes deste fruto não deverão ser viáveis, ou podem ser para o ano mas não mais que isso. IMG1283

 

novos suportes

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Este ano optámos por uns suportes diferentes, mais resistentes e mais eficazes, pelo menos é essa a nossa intenção.

No ano passado estacámos todos os tomateiros com canas, e se ao início foi o suficiente, à medida que as plantas continuaram a crescer e a ficarem quase da nossa altura, verificámos que o seu peso partiu a maior parte das canas, e ao ficarem deitados no chão, os tomateiros foram crescendo uns em cima dos outros. Este sistema tornou bastante complicada a nossa movimentação nas linhas dos tomateiros durante as colheitas.

Como estamos sempre a aprender e tentar melhorar, este ano construimos uma espécie de “vinha” dentro da estufa. Não só deixámos mais espaço entre as linhas, como esperamos guiar os tomateiros ao longo dos arames suspensos nas estacas.

Os nossos morangueiros

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Os nossos morangueiros são o nosso orgulho, após um começo complicado o ano passado, estão a recuperar com força, já a dar morangos e a propagarem-se a toda a velocidade.

Estes são da variedade “Mara-du-bois”, são pequenos e têm um cheiro e um paladar intensos e estamos ansiosos para que fiquem bem vermelhos para os podermos aproveitar. Por enquanto são só para nós, como não encontrámos já com certificado bio ainda estão em periodo de conversão. Os que já propagámos são considerados como certificados, mas como ainda são poucos vamos esperar mais um ano e depois certificamos o morangal por inteiro.

Até lá vamos multiplicando-os e mante-los verdejantes.

Chegou o bom tempo

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O bom tempo finalmente chegou. Dos agricultores mais experientes com quem temos falado, ninguém se lembra de um inverno tão longo, e as plantações estão atrasadas para toda a gente. Durante grande parte do inverno pensámos que éramos os únicos sem nada na terra, e que a nossa falta de produtos se devia a nossa falta de experiência.

Mas agora que o bom tempo chegou, o céu limpo, o calor e o vento que se fez sentir na última semana, ajudou a começar a secar mais rapidamente os solos, e por todo o lado vemos um corropio de tratores, que com bastante agilidade deixam o solo bem trabalhado para se começarem as sementeiras.

Na nossa horta não é diferente, e só na última semana já conseguimos cortar o mato todo, arranjar a estufa (finalmente!!!), começar a preparar o solo dentro da estufa, e também na rua, para ver se ainda vamos a tempo de por batata. Estamos ansiosos por estas semanas que se aproximam, para começar a plantar e semear e começar a ver a nossa horta a renascer.

Ratos do campo

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Os ratos do campo são uma praga terrível…  são pequenos e andam sempre escondidos em túneis que escavam pela horta toda, e este inverno foram responsáveis pela perda de uma parte importante das nossas culturas.

Começámos a ver os seus efeitos quando apareceram as primeiras acelgas sem raiz. A acelga cria uma raíz grande como um bolbo,  que os ratos adoram roer – no inicio pareciam inofensivos e os estragos pareciam circunscritos a umas poucas acelgas, mas rapidamente deram cabo de 4 linhas de 30 metros, e logo depois invadiram a estufa e começaram a roer as cenouras e a raiz da salsa que forma uma raiz semelhante à cenoura, mas mais estreita e branca.

Para tentar controlar a praga, começámos a meter ratoeiras (as da foto) pela estufa, mas até ver ainda nenhum caiu nesta armadilha. Outra sugestão que estamos a seguir é dar-lhes aveia com gesso. A ideia é que o gesso lhes faça mal ao sistema digestivo e eles desapareçam da horta – temos pequenos pratinhos pela estufa com esta mistura e eles estão a comer, esperamos que comece a resultar depressa.

Crop Planning for Organic Vegetable Growers

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Para quem nunca teve contacto com a produção agricola profissional, conseguir planear as épocas antecipadamente tem sido o nosso maior desafio. Já tinhamos falado aqui do planeamento de culturas, e agora aproveitamos para voltar a esse assunto.

Seguindo uma sugestão que nos fizeram, fomos dar uma vista de olhos a um livro que é publicado pela Associação de Produtores Biológicos do Canadá (COG), e que se chama “Crop Planning for Organic Vegetable Growers“, não poderia ser mais indicado para nós. Este livro é uma verdadeira fonte de conhecimento principalmente para quem acaba de começar, e para todos os que estão a pensar em começar e não conseguem visualizar como é que se consegue viver exclusivamente de uma pequena horta em modo de produção biológico.

O livro trata desde o estabelecimento de objetivos financeiros, passando por planeamento de sementeiras, datas de colheitas, gestão do solo, e do espaço em estufa, análise de rentabilidade de cada cultura, e planeamento da época seguinte com base nos dados recolhidos e resultados obtidos. Vai ser sem dúvida uma ferramenta fundamental para a nossa próxima época.

Outra coisa que nos deixou bastante satisfeitos foi toda a rapidez do processo, os canadianos são bem certinhos, e os correios funcionaram impecávelmente, demorou cinco dias a chegar.

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