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Recolher sementes de tomate

A recolha de sementes viáveis é uma prática que se repete há milhares anos, desde que a humanidade deixou de ser recoletora e passou a ser agricultora. Nos últimos anos as empresas de sementes têm desenvolvido variedades híbridas, calibradas e tratadas que podem dar frutos e plantas maiores e mais robustos mas não necessariamente mais saborosos – e com a desvantagem de as suas sementes não serem viáveis, o que leva a que o agricultor tenha de comprar novas sementes todos os anos. A seleção dos melhores exemplares que as empresas de sementes dizem fazer, também pode ser feita pelo agricultor – é só escolher as plantas mais vigorosas, com frutos maiores e/ou mais bonitos e saborosos e ir fazendo a sua seleção ao longo das gerações.

Existem sementes mais fáceis de recolher que outras, mas com um pouco de paciência e dedicação o hortelão pode ir desenhando as suas culturas com as suas caraterísticas preferidas. Desde que começámos a produzir já recolhemos sementes de feijão, ervilhas, tremoço, couve portuguesa, couve brócolo e rúcula – que são todas vagens e por isso de recolha semelhante. Devem deixar-se formar e amadurecer as vagens na planta, recolhê-las quando estão já a amarelecer e deixá-las acabar de secar penduradas e “tapadas” por um saco de papel ou rede fina para evitar que caiam no chão ou sejam comidas por ratos ou aves.

No caso das sementes de tomate a técnica já é outra, não bastando deixar os tomates secar para retirar as sementes – neste caso é necessário, ou pelo menos altamente aconselhável, fermentar as sementes. A fermentação das sementes de tomate permite separar melhor as sementes da película gelatinosa que as envolve e ajuda a separar as sementes viáveis (que afunda na água) das não viáveis (as que flutuam na água). Por outro lado é uma questão sanitária porque com esta técnica reduz-se a ocorrência de doenças transmitidas por sementes menos saudáveis, e elimina-se um agente inibidor da germinação que se não for feita a fermentação não é eliminado. A técnica é descrita a seguir:

1 – Cortar os tomates ao meio pela linha equatorial – com uma colher tirar as sementes (com a gelatina incluida)  para um copo ou frasco e encher com água;

2 – Deixar a fermentar por 3-5 dias, até se formar uma película de bolor no topo;

3 – Com uma colher mexer o conteúdo e retirar a película de bolor, que será um disco relativamente fácil de separar das sementes;

4 – As sementes viáveis vão afundar-se e as inutilizáveis virão à superfície, por isso o conteúdo do copo deverá ser decantado cuidadosamente 3-4 vezes, enchendo sempre com água limpa de cada vez até só ter sementes boas no fundo;

5 – Passar as sementes para um coador/rede e esfregar suavemente as sementes contra a malha para libertar quaisquer películas gelatinosas que possam ainda estar a envolver as sementes, passando depois por água corrente;

6 – Colocar as sementes em pratos de papel e deixar secar durante vários dias – é importante os pratos serem de papel e não de plástico para ajudar na adsorção da água (gurdanapos de papel não são boa ideia porque se colam às sementes e é depois muito difícil obter sementes limpas e sem restos de papel).

Sugerimos escrever sempre o nome da variedade e data de recolha, tanto nos frascos/copos como nos pratos para mais tarde não misturar as variedades. Depois de bem secas devem colocar-se em cartuchos de papel ou em frascos ou caixas bem fechadas em lugar seco e fresco, garantindo que não entram humidades.

Para a época seguinte estão prontas a semear!