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Rhizobium

O rizóbio (Rhizobium sp.) é uma bactéria que se associa a plantas leguminosas para efectuar a fixação biológica de azoto, que se traduz na transferência de azoto atmosférico para o solo permitindo a adubação natural. Existem diferentes espécies de rizóbio que se associam a diferentes espécies de leguminosas, mas em todos os casos esta simbiose – como o próprio nome indica – é vantajosa tanto para a planta como para a bactéria. As bacterias obtêm açucares produzidos pela planta, e esta por sua vez tem o seu fornecimento de azoto essencial para o seu crescimento assegurado pelo rizóbio não precisando de adubação azotada por outras fontes não naturais. É de facto um processo genial presente na natureza: à temperatura e pressão ambiente esta bactéria (através da enzima nitrogenase) faz o mesmo que uma fábrica de amoníaco mas que necessita de 500ºC e uma pressão de 200 a 400 atmosferas para transformar uma molécula gasosa de N2 em amoníaco. É uma poupança energética brutal!

Desde a antiguidade que é reconhecida a capacidade regeneradora das leguminosas nos solos, mas apenas no século XIX foi demonstrado o processo que ocorria no interior dos nódulos de rizóbio. As pressões para produzir mais plantas e de maiores dimensões e com maior rapidez fizeram desenvolver a produção química em fábricas de adubos azotados, em processos que consomem quantidades enormes de energia – na sua maioria de fonte não renovável (já agora, as trovoadas ultrapassam o rizóbio em termos de quantidades de azoto fixado no solo, já que arrastam para este por ano cerca de 200 milhões de toneladas de azoto).

É possível adquirir rizóbio para inoculação de sementes de leguminosas, principalmentes as que são cultivadas como prado permanente ou para enrelvamento ou ainda para sideração (adubação verde), mas é sempre preferível melhorar as condições de fixação do rizóbio naturalmente presente no solo – apesar de a sua presença e actividade ser afectada pelas condições do meio. A presença de minerais favorece a sua actividade, mas é inibido pela presença de azoto solúvel. Por outro lado, a seca e o calor, metais pesados, pesticidas e antibióticos podem destruir estas bactérias.

Para saber se o rizóbio está a fixar bem o azoto, corta-se um nódulo e observa-se a cor no interior: deverá ser vermelha viva (se for cinzenta escura não está a fixar azoto). No caso do nosso terreno, os nódulos apresentam um tom rosa forte, o que nos leva a pensar que se calhar não está a fixar azoto a 100%. Poderá ser a falta de água que se faz sentir, ou as correcções efectuadas antes das plantações podem não ter fornecido ainda as condições ideais para a sua actividade. De qualquer forma, como se pode ver na imagem, as raízes da luzerna que cobre neste momento a nossa horta, estão cheias de nódulos de rizóbio, que pensamos ser da espécie Sinorhizobium meliloti porque está associado à luzerna (pensamos ser a Medicago polimorpha por ter flores amarelas em vez das flores lilazes características das luzernas vivazes – Medicago sativa). A título de curiosidade, as luzernas são características dos solos argilosos a franco-argilosos e alcalinos – o nosso solo é mesmo assim!

Estamos na dúvida quanto à altura certa para fazer o enterramento destas leguminosas. Tínhamos deixado esta cobertura nas zonas da horta onde não estavam culturas em produção ou onde não está a fava e o tremoço (também para enterramento) até que o inverno passasse e não houvesse erosão nem lixiviação de nutrientes por acção das águas da chuva, mas… não tem chovido nada, nem há chuva no horizonte. O atraso no crescimento da fava e do tremoço vão atrasar também o seu enterramento, por isso em princípio vamos já enterrar estas luzernas para começarmos as sementeiras de primavera/verão.

Fonte: “As bases da agricultura biológica – Tomo I – Produção vegetal”, coordenado por Jorge Ferreira, edições EDIBIO

Limpezas na estufa

Este domingo que passou foi dedicado a limpar a estufa. Como temos vindo a constatar, uma estufa pequena como a nossa e que é a única zona produtiva que conseguimos ter neste momento, não pode estar muito tempo ocupada com culturas que já não estão no seu auge de comercialização, e por isso resolvemos tirar tudo o que estava a empatar para dar lugar a culturas novas.

Tínhamos manjericão já a dar flor, coentros da nossa altura que esperávamos que dessem semente, rúcula também a dar flor, e uma fila que ficou a reposar depois de termos colhido as beterrabas.

E assim ocupámos a manhã de domingo, ao som da “smooth fm” fomos os dois andando pelas linhas, a cortar o que já estava a mais, a encher o carrinho de mão com os restos e a levar tudo para o monte de material a compostar. E agora temos uma estufa livre e com espaço para instalarmos culturas novas e aumentarmos as que já estavam instaladas, como os espinafres, beterrabas, nabos e mais alfaces.

Experimentar com os rabanetes

Temos vindo a descobrir que a agricultura é tudo menos linear. Não basta lançar as sementes à terra e esperar que saia sempre bem. Quer queiramos quer não as condições do solo alteram-se, a temperatura afecta e muito o desenvolvimento e até a coloração dos vegetais (as couves coração por exemplo estão roxas de tanto frio que tem feito), e às vezes até a técnica usada na germinação afecta o resultado final.

Foi o que aconteceu no caso da “2ª geração” de rabanetes que cultivámos no nosso terreno desde outubro. Por uma questão de gestão do espaço e do tempo, experimentámos germinar parte das sementes de rabanete nos tabuleiros com destino a transplantar na estufa e outra parte semeámos por sementeira directa no exterior. Os da estufa fendilharam muito mais que os da rua, apesar de terem folhas e bolbos muito maiores. Pensamos que pode ter sido de os termos transplantado tarde demais, já com raízes muito desenvolvidas no alvéolo do tabuleiro (alguns até já tinham a bola formada quando foram para a terra). Quando os arrancámos notava-se ainda perfeitamente o substrato de germinação a envolver as raízes, e em vez de uma raíz principal como devia ser havia várias raízes principais, em leque, e com fendilhamento que em alguns casos abriu o rabanete por baixo por completo.

Sabemos que alterações importantes na disponibilidade de água ao longo do ciclo de desenvolvimento do bolbo também podem causar fendas (e também fibrosamento), mas neste caso pensamos que foi mesmo o facto de já terem demasiada ramificação das raízes no tabuleiro.

Uma vez que quando demos por esta situação já tínhamos colocado mais sementes a germinar, decidimos não as desperdiçar e transplantá-las em vez disso mais cedo (na foto, em baixo à esquerda) quando ainda só tinham as duas folhas do cotilédone e uma raíz única. Experimentámos assim transplantar com raíz nua, sem o substrato do alvéolo do tabuleiro a condicionar o crescimento da raíz principal. Vamos lá ver se resulta e se a “3ª geração” de rabanetes na estufa sai como deve ser!

[actualização a 01-05-2012: esta técnica realmente resultou, os rabanetes transplantados numa fase muito inicial e sem o substrato a condicionar o desenvolvimento da raíz formaram-se perfeitamente. Contudo, ainda estamos a afinar a produção dos rabanetes… a transplantação das jovens plantas é uma tarefa muito demorada porque o compasso de plantação é apertado e a densidade elevada; por outro lado na sementeira directa obriga-nos a desbastar as plantas que estejam muito juntas, perdem-se mais sementes e requer uma cama de sementeira bem esmiuçada – o que nem sempre é possível no nosso solo argiloso e com torrões. A experimentação continua…]