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O inverno é difícil…

O inverno é difícil, os dias são muito mais curtos, tem chovido muito na nossa horta, o solo está muito frio, as culturas estão a demorar uma eternidade a ficarem prontas, e a maior parte dos dias não dá para fazer nada na horta porque é lama por todo o lado. A nossa motivação por estes dias anda em níveis mínimos.

Apesar de termos tentado antecipar esta situação e termos plantado 2/3 do terreno (é o máximo que já tivémos ocupado de uma só vez), a verdade é que tirando as couves portuguesas não se está a desenvolver mais nada.

Por esta altura andamos cheios de saudades do bom tempo e dias longos, onde uma alface ficava pronta em três semanas, mas pronto, o bom a agricultura é que depois da chuva vêm sempre dias de sol.

Experiências com produtos transformados

Os nossos vegetais são bons e temos imenso orgulho neles. Ficamos sem palavras quando no mercado nos dizem que as nossas couves são uma maravilha, ou que a nossa salsa tem um aroma poderoso, ou que a nossa rúcula é picante e deliciosa, ou que os nossos tomates são dos melhores que já provaram. E por isso ficamos tristes quando eles acabam… se ao menos pudéssemos prolongar-lhes a vida… E é essa experiência que estamos a fazer agora. Com o que foi sobrando de pimento vermelho fizemos uma pasta. Com o tomate demasiado maduro para levar para o mercado fizemos doce. O tomate cereja a mais foi para o forno secar com ervas. Guardámos a abóbora mais suculenta e fizemos doce. Com as couves roxas mais compactas mas que não chegaram a crescer antes de termos de limpar a zona onde estavam plantadas tentámos fazer chucrute (sauerkraut) – ainda estamos a aguardar que a fermentação atinja o ponto. A quantidade ainda é pouca, mas se afnarmos as receitas vamos pedir a certificação para produtos transformados e para o ano a produção já vai ser feita a contar com estes produtos, e que vamos passar a incluir na nossa oferta no mercado. Para nós faz todo o sentido não desperdiçar nada da nossa produção, e se a pudermos conservar para os nossos clientes desfrutarem dela mesmo quando já não estão na época, tanto melhor.

As favas já estão na terra…

Este ano as favas já estão na terra, e nós estamos particularmente contentes por isso. No final de cada cultura ficamos sempre com o sentimento que devíamos ter começado mais cedo, para aproveitar melhor as épocas, mas este ano com a fava antecipámos e bem.

O ano passado apenas utilizámos a fava como adubação verde, a nossa ideia foi semear, deixar crescer um pouco e antes de começar a dar fruto, cortar e incorporar na terra, para desta maneira melhorar a estrutura do solo e fertilizar. Mas como semeámos muita acabámos por não cortar toda e deixámos um pouco de terra com fava para colher. É claro que quando chegou a época da colheita ficámos tristes por não ter mais.

Por isso este ano resolvemos semear de propósito para colher, para começar antecipámos um mês e meio a sementeira, reservámos dois camalhões de 30 metros e semeámos quatro linhas, com cerca de 18 cm de espaçamento entre cada fava. Se tudo correr bem, vão começar a surgir as primeiras plantas dentro de três a quatro semanas, e nessa altura fazemos nova sementeira.

A fava é uma cultura que produz muito, e das favas que adquirimos o ano passado ao Miguel das Hortas da Cortesia, devidamente certificadas para agricultura biológica, deu para a adubação verde, para semear este ano, e ainda sobraram para o ano que vem. Se aproveitarmos este ano para guardar alguma produção para semente e juntarmos às que sobraram, vamos ter favas para sempre.

[actualização a 8-5-2013: infelizmente o inverno foi rigoroso demais – muito vento e muita chuva quebraram as plantas e fizeram as flores cair por isso não houve favas este ano…]

Planear culturas

Planear as culturas, saber quando começar as sementeiras, quando transplantar e em que quantidades, é capaz de ser a coisa mais importante para quem está a tentar produzir hortícolas para vender, e nós ainda estamos a afinar o nosso processo.

Como nenhum de nós tinha prática agricola digna de registo, foi necessário muita pesquisa e muita tentativa erro para começarmos a acertar com algumas culturas. O mais difícil neste processo são as quantidades, se produzimos de mais, depois não vendemos e estragam-se os produtos, se produzimos a menos depois não temos para todas as solicitações. É um verdadeiro dilema.

Até que numa das navegações pela net, encontrámos um plano explicado passo a passo (http://www.traces.org/green/Course-marketing/4.5_CSA_crop_plan.pdf). Muito resumidamente o plano funciona da seguinte maneira: 1) primeiro é preciso calcular as necessidades semanais de determinada cultura, para depois chegar ao objectivo total da época; 2) passamos então para o cálculo da quantidade de plantas por sementeira que são precisas para atingir os objectivos anteriores; 3) em seguida, e para não existirem quebras na produção, anotamos as datas inicial, final e a frequência de sementeiras, para sabermos ao certo quantas sementeiras vão ser feitas ao longo da época; 4) com este valor em mente já podemos calcular as necessidades de sementes, e uma estimativa do custo de produção associado a esta cultura.

É claro que é muito mais fácil escrever do que fazer, e após uns meses de aplicação do plano ainda não acertamos com as quantidades todas, mas também é verdade que existem muitas variáveis para ter em conta, e esta é uma actividade de constante adaptação e aprendizagem.

Pequenas reparações

A agricultura é uma actividade dura, e de grande desgaste, e se o é para nós, é o muito mais para o equipamento que nós utilizamos, que de uma maneira ou de outra serve para nos facilitar a vida a nós.

Sendo nós pequenos agricultores, temos de ser nós a reparar e fazer a manutenção do nosso próprio equipamento, e como já referimos anteriormente, somos uma espécie de “faz-tudo” na nossa horta.

Ao final de um ano já tivémos que reparar alfaias, trocar cabos a enxadas e soldar forquilhas, já tivémos reparar canalização que estava com fugas de água, já remendámos vezes sem conta a nossa estufa com uma fita própria para o efeito (para além de um acidente que o plástico sofreu logo na montagem, a nossa zona é muito ventosa o que faz com que o plástico esteja sempre com pressão e a bater na estrutura de metal), afiar os instrumentos de corte, e reparar os cavaletes que utilizamos no mercado para fazer a nossa banca.

Como temos vindo a descobrir, uma manutenção adequada e regular do equipamento, aumenta a sua durabilidade, e evita gastos desnecessários que acontecem quando temos de comprar tudo de novo.

Tremoços

E desta maneira terminou a nossa época do tremoço, com uma sessão prolongada de descascar vagens, tarefa que requer alguma paciência.

A principal função deste tremoço foi melhorar o solo, enquanto estava em desenvolvimento serviu para fixar azoto atmosférico no solo, e depois de enterrado serviu para aumentar a matéria orgânica disponível para outras culturas. Nunca foi nossa intenção aproveitar o grão, mas uma vez que não foi todo enterrado na altura devida, deixámos as vagens secar e colhemos o tremoço que deu.

Colhemos cerca de cinco quilos, vamos aproveitar para guardar semente e este ano voltar a semear, e uma pequena parte vamos preparar para termos tremoços, vamos lá ver se saem bem.

Recolher sementes de tomate

A recolha de sementes viáveis é uma prática que se repete há milhares anos, desde que a humanidade deixou de ser recoletora e passou a ser agricultora. Nos últimos anos as empresas de sementes têm desenvolvido variedades híbridas, calibradas e tratadas que podem dar frutos e plantas maiores e mais robustos mas não necessariamente mais saborosos – e com a desvantagem de as suas sementes não serem viáveis, o que leva a que o agricultor tenha de comprar novas sementes todos os anos. A seleção dos melhores exemplares que as empresas de sementes dizem fazer, também pode ser feita pelo agricultor – é só escolher as plantas mais vigorosas, com frutos maiores e/ou mais bonitos e saborosos e ir fazendo a sua seleção ao longo das gerações.

Existem sementes mais fáceis de recolher que outras, mas com um pouco de paciência e dedicação o hortelão pode ir desenhando as suas culturas com as suas caraterísticas preferidas. Desde que começámos a produzir já recolhemos sementes de feijão, ervilhas, tremoço, couve portuguesa, couve brócolo e rúcula – que são todas vagens e por isso de recolha semelhante. Devem deixar-se formar e amadurecer as vagens na planta, recolhê-las quando estão já a amarelecer e deixá-las acabar de secar penduradas e “tapadas” por um saco de papel ou rede fina para evitar que caiam no chão ou sejam comidas por ratos ou aves.

No caso das sementes de tomate a técnica já é outra, não bastando deixar os tomates secar para retirar as sementes – neste caso é necessário, ou pelo menos altamente aconselhável, fermentar as sementes. A fermentação das sementes de tomate permite separar melhor as sementes da película gelatinosa que as envolve e ajuda a separar as sementes viáveis (que afunda na água) das não viáveis (as que flutuam na água). Por outro lado é uma questão sanitária porque com esta técnica reduz-se a ocorrência de doenças transmitidas por sementes menos saudáveis, e elimina-se um agente inibidor da germinação que se não for feita a fermentação não é eliminado. A técnica é descrita a seguir:

1 – Cortar os tomates ao meio pela linha equatorial – com uma colher tirar as sementes (com a gelatina incluida)  para um copo ou frasco e encher com água;

2 – Deixar a fermentar por 3-5 dias, até se formar uma película de bolor no topo;

3 – Com uma colher mexer o conteúdo e retirar a película de bolor, que será um disco relativamente fácil de separar das sementes;

4 – As sementes viáveis vão afundar-se e as inutilizáveis virão à superfície, por isso o conteúdo do copo deverá ser decantado cuidadosamente 3-4 vezes, enchendo sempre com água limpa de cada vez até só ter sementes boas no fundo;

5 – Passar as sementes para um coador/rede e esfregar suavemente as sementes contra a malha para libertar quaisquer películas gelatinosas que possam ainda estar a envolver as sementes, passando depois por água corrente;

6 – Colocar as sementes em pratos de papel e deixar secar durante vários dias – é importante os pratos serem de papel e não de plástico para ajudar na adsorção da água (gurdanapos de papel não são boa ideia porque se colam às sementes e é depois muito difícil obter sementes limpas e sem restos de papel).

Sugerimos escrever sempre o nome da variedade e data de recolha, tanto nos frascos/copos como nos pratos para mais tarde não misturar as variedades. Depois de bem secas devem colocar-se em cartuchos de papel ou em frascos ou caixas bem fechadas em lugar seco e fresco, garantindo que não entram humidades.

Para a época seguinte estão prontas a semear!

 

Variedades de verão

O verão é uma época fantástica na horta, dias longos e cheios de sol fazem os vegetais da estação crescer a todo o vapor, e é bom assistir a tudo isto.

Desde o início que a nossa aposta sempre foi na variedade, às custas da quantidade, como é óbvio se estamos concentrados em muitos vegetais diferentes não conseguimos produzir quantidades muito grandes de cada um. Encaramos isto como um ponto forte de nossa horta, para nós o segredo está na diversidade, o que aliás é um dos principios base do modo de produção biológico. E sem dúvida que as pessoas que nos apoiam estão a gostar da nossa banca diversa aos sábados de manhã, e dos nossos caixotes de vegetais variados.

Neste momento dividimos os nossos cuidados diários na horta por: cinco variedades de tomate, duas de pimentos, alcachofras (que ainda não deram), beringelas, cinco variedades de couve, beterrabas, acelgas, alho francês, courgette, pepino, quatro variedades de abóbora, funcho, aipo de raiz, duas variedades de alface, e três de aromáticas.

Neste primeiro ano de produção temos aprendido bastante acerca de vários tipos de vegetais, e o facto de estarmos a tentar ter o máximo de diversidade possível (uns correram melhor do que outros), vai sem dúvida servir de preparação para as épocas de cultivo que se avizinham.

Abóboras e aboborinhas

Na horta reservámos este ano uma zona para cucurbitáceas – abóboras, aboborinhas e pepinos. Logo na primeira semana de março semeámos em pequenos vasos abóboras Musquée (pensamos ser as chamadas “porqueiras”), abóboras patisson brancas e amarelas, abóboras butternut (“cabaça”), courgettes e pepinos. Um mês depois transplantámos as plantas, já com 3 folhas verdadeiras em linhas distanciadas cerca de 1,5m e com um espaçamento na linha de 1,5m no caso das courgettes e patisson e de 2 a 2,5m no caso das restantes abóboras e pepino. Na mesma altura fizémos nova sementeira, não fosse esta primeira transplantação não correr bem. No caso dos pepinos achamos que os plantámos ao ar livre cedo demais – o tempo ainda estava frio e as plantas ressentiram-se crescendo pouco e ficando com um aspeto triste. Depois à medida que o tempo aqueceu começaram a crescer e a ficar mais bonitas. Todas as outras desenvolveram-se bem, à exeção das patisson amarelas que nunca chegaram a dar frutos. As courgettes são sem dúvidas das plantas mais produtivas – todos os dias apanhamos pelo menos uma e elas crescem a uma velocidade inacreditável – e apesar de os frutos serem grandes não são ocos porque crescem ao seu ritmo só com água e sol do bom! Os pepinos deram muitas frutificações mas amarelaram quase todos… pensamos ser água a mais e por isso agora regamos só de dois em dois dias – vamos ver se resulta.

As Musquée não estão gigantes mas estão grandes e a amadureceer; as cabaça também não cresceram muito, mas parecem estar prontas também. As courgettes e as patisson apanharam recentemente oídio e já não deverão durar muito mais tempo – o nosso terreno é muito ventoso, o que pode ter fragilizado as plantas que já de si são bastante propensas a ataques de fungos.

Ao lado dos pepinos colocámos uma linha de aipo de raíz (que se diz ser uma boa consociação com o pepino) e uma outra linha de funcho, mas os coelhos parecem apreciar e muito o funcho e não o estão a deixar desenvolver… até agora tem dado para todos, mas infelizmente não temos mais sementes desta variedade para as substituir.

Ainda temos 4 plantas de abóbora hokaido, numa outra zona mais abrigada e que tiveram uma produtividade muito boa – temos mais de 20 abóboras quase prontas a colher, grandes e laranjas. As abóboras hokaido crescem bastante e ocupam um raio de 2 ou 3m, fazendo também uma boa cobertura de solo – onde as temos não tivemos de nos preocupar com a limpeza das ervas daninhas. E finalmente melões chanterelle, perto das hokaido, com pelo menos 3 ou 4 frutos por planta, o que adivinha um final de agosto bem doce.

Verão no campo

Na primeira semana de junho, como se tivessem combinado, os tratores sairam à rua e começou uma azáfama nos campos à nossa volta – e por toda a zona saloia! Primeiro passaram as alfaias de corte, depois os varredores/espalhadores de feno deixaram filas alinhadas e prontas para serem recolhidas, prensadas e atadas pelas enfardadeiras. Tivemos oportunidade de observar algumas destas operações, e sem dúvida que é engraçado ver tanta agitação em terrenos que no resto do ano vemos vazios de gente e aparentemente em descanso. É nestas alturas que se sente que isto da agricultura tem mesmo ciclos, trabalhos que se repetem ano após ano, sempre pela mesma altura, por mais que o clima teime em nos trocar as voltas.

 

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