Arquivo

  • 2016 (1)
  • 2015 (4)
  • 2014 (8)
  • 2013 (12)
  • 2012 (22)
  • 2011 (35)
  • 2010 (10)
  • 2009 (1)

Pragas e auxiliares

Nem tudo são rosas no doishectaresemeio (ironia em destaque, já que aqui costumava haver uma exploração de rosas). Tínhamos uma leve esperança que as primeiras culturas não fossem fortemente visitadas por pragas uma vez que este era um terreno abandonado, onde não era feita agricultura e onde em princípio não estariam latentes vírus ou doenças específicas dalgumas das plantas que vamos produzir. Mas a fauna apareceu, como não poderia deixar de ser. A terceira semana da germinação foi crítica – até aí foi só regar de manhã e à noite e arejar, e as plantas cresciam a cada dia, fortes e saudáveis. Depois começaram a aparecer visitantes, uns “bons” outros mais indesejáveis. As couves portuguesas começaram a ficar rendilhadas por áltica (falaremos delas em pormenor noutro post), um gafanhoto verde quis ver o que se estava a passar, uma ou outra mosquinha branca (prontamente eliminadas entre polegar e o indicador), afídeos (aaahhh… afídeos é que não), e outros insectos não problemáticos, e até úteis.

Até ver, os que estão ilustrados nas fotos não fizeram qualquer estrago pelo que admitimos serem auxiliares, ou pelo menos indiferentes. Quanto aos afídeos e às álticas… Os estragos estão a ser visíveis nas couves.

A boa notícia é que os auxiliares começaram a aparecer e a fazer o seu trabalho – larvas predadoras e insectos parasitóides começam lentamente a entrar em acção, mas não sabemos se vai ser suficiente:

Braconideos do genero Aphidius a parasitar afideos
Para além dos produtos homologados para aplicação em agricultura biológica, temos outras soluções de produção caseira que queremos experimentar e que nos foram sugeridas por quem nos está a dar apoio técnico.
Deixamos aqui a receita para chorume de fetos – que é um repelente de insectos que podemos aplicar sem intervalos de segurança e que serve como acção preventiva:

 

1 kg de fetos frescos
10 L de água (de preferência da chuva)
Colocar os fetos num recipiente com 10L de água e deixar ficar cerca de 15 dias (se necessário colocar uma pedra para manter os fetos debaixo de água). Após esse período retirar as plantas e guardar o líquido/chorume. Para aplicar, diluir a 10% – ou seja, na prática 1kg de fetos dá para 100L de repelente.

 

As primeiras culturas estão na terra!

São couves portuguesas (para o Natal!), alfaces (três variedades) e feijão verde. As couves e as alfaces foram consociadas ao ar livre, em camalhões de 1m de lado por 30m de comprimento (uma linha de alface entre duas linhas de couve). Esta consociação envolve uma cultura de crescimento lento (a couve) com uma cultura de crescimento mais rápido (a alface) o que permite uma mais eficiente utilização e cobertura do solo. Quando as alfaces forem colhidas dentro de um ou dois meses as couves continuarão a crescer e até dezembro terão espaço suficiente para se desenvolverem.

Dentro da estufa colocámos os feijões. O tempo está ventoso e já começou a refrescar e não quisemos arriscar que os pés frágeis desta cultura se partissem. Foram estacadas com canas, pé sim, pé não e em breve irão começar a trepar por elas acima.

Espalhar estrume

Espalhar estrume não é tão fácil como parece, mas é sem dúvida uma tarefa necessária para melhorar o teor de matéria orgânica no solo. As alternativas eram o composto comercial ou o vermicomposto – ambos com um custo mais elevado do que poderíamos neste momento pagar, mas talvez mais equilibrados em termos de nutrientes e em termos de grau de decomposição. Encontrámos um produtor local que tem umas centenas de ovelhas que pastam livremente durante o dia e cujo leite é vendido para o fabrico (também local) de queijo e adquirimos cerca de 8 metros cúbicos.

O estrume tinha já sido retirado há cerca de 4 meses, mas infelizmente apenas cerca de metade estava bem curtido. Por isso aguardámos mais um mês e espalhámos nas parcelas que vamos cultivar, juntamente com um correctivo do pH (enxofre granulado, de libertação lenta) e um correctivo orgânico, cerca de uma semana antes de plantarmos para que tivesse tempo de degradar um pouco e não ser tão agressivo para as culturas recém-transplantadas.

O Sr. João (o nosso vizinho) ajudou-nos a colocar pequenos montes de estrume nas parcelas com a caixa do trator, que depois espalhámos com a ajuda de enxadas, forquilhas e pás. Depois passou novamente a fresa e o terreno ficou praticamente pronto.

Nota: o estrume estava quente, até fumegava. O que é um bom sinal – quer dizer que estava a decompor, e que os organismos presentes estavam a fazer o seu trabalho.