Fotos e Histórias

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Lá vai alho.

No final do verão, comprámos cerca de 10Kg de alho seco a outro produtor biológico, com o intuito de servir de “semente” para começarmos a produzir o nosso próprio alho. Durante todo este tempo mantivémos o alho guardado num local seco para que não começasse a germinar, mas as coisas parece que têm um relógio e mesmo assim por esta altura já começavam a surgir rebentos por todo o lado. O sinal estava dado e era altura de o semear.

Como o alho é uma cultura que demora muito a ficar pronta, escolhemos um sítio sossegado na horta para ele ficar, um sítio que não dificulte os trabalhos que sejam precisos fazer para as outras culturas. Ficou entre a estufa e a bordadura de silvas que cerca o terreno, assim fica protegido dos ventos e tem drenagem dos dois lados. Fizemos dois camalhões com cerca de um metro de lado e trinta de comprimento, e em cada um plantámos três linhas de alho. Se tudo correr bem lá para o verão do ano que vem vamos ter alho com fartura.

dica: os melhores dentes de alho para semear são os de fora das cabeças.

Há um ano atrás…

Fez por estes dias um ano que vimos pela primeira vez o terreno que viria a ser a nossa horta. Andávamos já à procura há um ano, já tínhamos passado por uma desilusão com outro terreno, e inúmeras voltas e tentativas sem conta de tentar encontrar proprietários de outros tantos terrenos. Encontrámos muitos sem água e muito mais ainda caros de mais, mesmo.

No final acabou por ser uma sequência de eventos que nos levou ao terreno, uma pessoa que nos pôs em contacto com outra, que por sua vez nos indicou mais uma, que conhecia outra que tinha um terreno livre. Mas isso foi só o inicio das peripécias. Um ano mais tarde, já certificámos um terreno, já o desmatámos (com ajuda de amigos e do tractor do sr. João – conhecermos o sr. João foi a maior ajuda que tivemos para trabalhar a terra), mandámos ligar a luz e verificar se a bomba de água funcionava, já temos uma estufa, instalámos a canalização da rega, aprofundámos as valas, vedámos uma parte do terreno para começar a horta, fizémos sementeiras, e plantámos feijão, várias couves, rabanetes, beterrabas, espinafres, acelgas, aipo, salsa, coentros, manjericão e rúcula.

Bem, passou um ano e já transformámos completamente o terreno que encontrámos, e vamos continuar :)

Fazer pilhas de composto

Um destes dias, antes de começar a chover diariamente, pusemos mãos à obra e reunimos os vários montes de matéria orgânica que tínhamos vindo a recolher e fizemos uma pilha de composto. Na verdade temos material para duas, mas para já completámos apenas uma. Estrume de ovelha quase totalmente curtido, ramos e material resultante da limpeza das nossas árvores e arbustos triturados, engaço de uva e as massas resultantes da prensa das uvas doados por uma adega cooperativa local foram as matérias-primas utilizadas. A ideia foi ir empilhando alternadamente os “verdes” com os “lenhosos”. Os lenhosos são fáceis de identificar: ramos triturados e o engaço da uva (a parte lenhosa dos cachos das uvas), e que são basicamente constituídos por matéria seca, rica em carbono. Os verdes neste caso são castanhos, mas estão representados pelo estrume e pelas massas resultantes da prensa da uva, e são materiais ricos em azoto e água. Noutras pilhas podem ser representados pelos resíduos verdes (não cozinhados) resultantes da  cozinha, ou resultantes da monda das ervas daninhas ou de culturas “em fim de vida”, mas os que usámos são particularmente ricos em azoto porque incluem resíduos com origem animal.

Para facilitar a construção da pilha misturámos primeiro o estrume e o bagaço da uva (as massas da prensa) e fomos alternando esta mistura com os materiais mais lenhosos e umas pazadas de terra. A cada 3 camadas regámos generosamente a pilha – a água é importante para criar condições aos agentes (insectos, lagartas, minhocas, fungos, etc) que vão trabalhar estes materiais até os transformar em composto. Por outro lado, vai permitir à pilha atingir logo nos primeiros tempos, temperaturas elevadas – idealmente acima dos 65ºC – que permitem matar os patogénicos e neutralizar sementes de infestantes. Por agora tem estado tapada com um plástico porque tem chovido bastante e água a mais também não é bom. Daqui a umas semanas vamos revirar esta pilha (e aproveitar para fazer outra) e deixa-la “descansar” até à primavera, pelo menos uns 6 meses. O volume da pilha vai reduzir substancialmente durante este período, mas se tudo correr bem vamos obter matéria orgânica da boa e pronta a incorporar no solo antes de novas sementeiras ou plantações.

Couve portuguesa

A couve portuguesa sobreviveu à áltica, está-se a aguentar – na maioria das plantas – à lagarta e até ver ainda não foi afectada pelo “bago de arroz” (vamos todos fazer figas com muita força…) e estão neste estado: grandes, lindas e tão tenras que nem acredito que fomos nós (e o sol, e a chuva, e a terra, claro) que as fizemos tão bem. Não sei quanto tempo se vão aguentar assim tenras, mas temos algumas ainda pequenas que esperamos que cheguem ao natal.

Já perdemos algumas couves lombarda e coração, mas o tempo está a arrefecer bastante o que vai levar os “bichos” a hibernar em breve, pelo menos até à próxima primavera.

Larvas e lagartas nocivas


Depois da áltica, as lagartas… e ainda mais recentemente larvas chamadas “bicho arroz”. Por parecerem bagos de arroz, nas raízes. As crucíferas são muito propensas a ataques por animais que gostam de as comer. As lagartas são de lepidópteros, vulgarmente conhecidos por borboletas. Quem cultiva couves avista com frequência borboletas brancas com uma pinta preta na parte inferior das asas a sobrevoá-las. A que vemos na segunda imagem é da espécie Pieris rapae L. (na primeira foto podem ver-se os seus excrementos), e encontrei uma ou duas por planta nas couves chinesas e na couve lombarda. Na terceira e quarta fotos são lagartas da espécie Pieris brassicae L., que normalmente se encontram “em colónias” de 25 a 50 animais, depois de sairem dos ovos amarelos (que se parecem bastante com ovos de auxiliares!) e que costumam manter-se naquela planta até a devorarem toda, sendo raro migrarem para outras plantas. Estas encontrei-as na couve portuguesa. Até agora tenho feito um controlo manual, retirando e esmagando as que encontro, mas possivelmente terei de recorrer a uma aplicação de Bacillus thuringiensis, uma bactéria que é indicada para o controlo de lagartas em estado juvenil em modo de produção biológico. Apesar de já não serem propriamente juvenis as lagartas que encontrei, poderão existir novos ovos e novas gerações que convém controlar.

Como o tempo tem estado quente (até esta semana, porque na verdade a temperatura agora desceu bastante e começou a chover) estiveram criadas as condições ideais para surgirem também as pequenas larvas em forma de bago de arroz, que se alojam no solo junto às raízes e que as devoram, acabando por matar a planta. Detectámos estas larvas da mosca da couve (Delia radicum L.) apenas na couve chinesa, e apenas quando as plantas já perfeitamente desenvolvidas e com aspecto saudável começaram a amarelecer e a tombar por já não terem raízes. Lamentavelmente já detectámos esta praga em estádio avançado e como tal vamos fazer um tratamento, junto ao solo/raízes das plantas, com um insecticida regulador de crescimento de origem vegetal (óleo de neem), cuja substância activa é a azadiractina, a mesma indicada para o combate à áltica e que já tínhamos em stock. O ideal teria sido evitar a postura dos ovos, por exemplo cobrindo as plantas recém transplantadas com manta térmica ou com rede de malha fina. A próxima cultura a instalar neste local não poderão ser couves, uma vez que esta praga irá repousar durante o inverno no solo em estado de pupa, para emergir na primavera entre março e maio.

Mercado Bio de Cascais

O dia começou cedo, muito cedo. Mãos à obra – ou à terra – e apanhámos alfaces, rúcula, couve chinesa, chicórias para juntar ao feijão e rabanetes apanhados de véspera e rumar ao mercado bio de Cascais para a nossa estreia. Tivemos sorte com o tempo e não choveu como estava previsto.

Foi sem dúvida uma óptima experiência. É bom conversar com os clientes, responder às perguntas, trocar impressões e até receitas. Foi bom também conhecer outros produtores e/ou distribuidores e fizeram-nos sentir muito bem acolhidos. E ainda tivemos a visita surpresa da família que veio conhecer a nossa banca e o parque Marechal Carmona.

Muito obrigada a quem apareceu! Esperamos voltar em breve…

Estreia nos mercados bio

Temos andado a trabalhar para nos podermos estrear nos mercados de rua biológicos, e por isso não temos escrito muito aqui. Mas chegou o dia de experimentarmos o contacto com o público e vamos estar este sábado no Parque Marechal Carmona, em Cascais, entre as 10h e as 14h. Vamos ter alfaces, chicórias, rabanetes, rúcula, feijão verde, couve chinesa, acelgas e espinafres. Apareçam!

Acompanhem as novidades em www.facebook.com/casal.hortelao

 

Cartões de visita

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Um cartão de visita é sem dúvida um convite a conhecerem melhor a nossa empresa, o nosso negócio. É a nossa imagem, a primeira impressão criada num potencial cliente ou colaborador. Foi por isso que escolhemos a Moo para fazermos os nossos cartões. É tudo feito online, e pudemos personalizar cada um dos cartões, frente e verso, com fotografias tiradas e seleccionadas por nós. Adoramos o resultado, a qualidade é excelente, e são entregues em poucas semanas. Vamos sem dúvida voltar para mais. Esperamos que também gostem…

ervas daninhas

Descobrimos a primeira tarefa que não nos agrada nada executar, a semana passada ocorreu na nossa horta a primeira limpeza de ervas daninhas na nossa história. É um trabalho custoso, é demorado, que exige concentração (para não acertar nas couves nem nas alfaces), é cansativo e dá dores nas costas, e acima de tudo desanima pensar que em menos de tempo nenhum elas (as ervas daninhas) vão voltar. No entanto é compensador olhar para trás e ver as filas limpas, e só se ver as culturas que estão plantadas.

Temos que começar a pensar e a testar diferentes coberturas de solo, para tornar o trabalho de controlar as ervas daninhas, mais leve e esporádico.

Ficam aqui duas fotos para verem a diferença.

Pragas e auxiliares

Nem tudo são rosas no doishectaresemeio (ironia em destaque, já que aqui costumava haver uma exploração de rosas). Tínhamos uma leve esperança que as primeiras culturas não fossem fortemente visitadas por pragas uma vez que este era um terreno abandonado, onde não era feita agricultura e onde em princípio não estariam latentes vírus ou doenças específicas dalgumas das plantas que vamos produzir. Mas a fauna apareceu, como não poderia deixar de ser. A terceira semana da germinação foi crítica – até aí foi só regar de manhã e à noite e arejar, e as plantas cresciam a cada dia, fortes e saudáveis. Depois começaram a aparecer visitantes, uns “bons” outros mais indesejáveis. As couves portuguesas começaram a ficar rendilhadas por áltica (falaremos delas em pormenor noutro post), um gafanhoto verde quis ver o que se estava a passar, uma ou outra mosquinha branca (prontamente eliminadas entre polegar e o indicador), afídeos (aaahhh… afídeos é que não), e outros insectos não problemáticos, e até úteis.

Até ver, os que estão ilustrados nas fotos não fizeram qualquer estrago pelo que admitimos serem auxiliares, ou pelo menos indiferentes. Quanto aos afídeos e às álticas… Os estragos estão a ser visíveis nas couves.

A boa notícia é que os auxiliares começaram a aparecer e a fazer o seu trabalho – larvas predadoras e insectos parasitóides começam lentamente a entrar em acção, mas não sabemos se vai ser suficiente:

Braconideos do genero Aphidius a parasitar afideos
Para além dos produtos homologados para aplicação em agricultura biológica, temos outras soluções de produção caseira que queremos experimentar e que nos foram sugeridas por quem nos está a dar apoio técnico.
Deixamos aqui a receita para chorume de fetos – que é um repelente de insectos que podemos aplicar sem intervalos de segurança e que serve como acção preventiva:

 

1 kg de fetos frescos
10 L de água (de preferência da chuva)
Colocar os fetos num recipiente com 10L de água e deixar ficar cerca de 15 dias (se necessário colocar uma pedra para manter os fetos debaixo de água). Após esse período retirar as plantas e guardar o líquido/chorume. Para aplicar, diluir a 10% – ou seja, na prática 1kg de fetos dá para 100L de repelente.

 

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